"O amor, o conhecimento e o trabalho, são fontes de nossas vidas. Deveriam também governá-los". - Wilhelm Reich







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sábado, 5 de janeiro de 2019

Atendimento Online

Agora com a nova resolução do Conselho Federal de Psicologia, nós psicólogos, podemos atender online, vc sabia?

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Não perca tempo! Comece o ano bem!!!

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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

DISFUNÇÕES OU TRANSTORNOS SEXUAIS

Disfunções ou transtornos sexuais são problemas que ocorrem em alguma das fases da resposta sexual humana.
Disfunções Sexuais Femininas
Na mulher, as disfunções sexuais mais comuns são: as inibições do desejo sexual, a anorgasmia, o vaginismo e a dispareunia.
As inibições do desejo sexual ou transtorno do desejo sexual hipoativo, constituem a falta ou diminuição da motivação para a busca de sexo, ou seja, a pessoa não tem vontade de manter relações sexuais.
Isso ocorre mais comumente devido a:
problemas no casamento (brigas, desentendimentos quanto ao que cada um espera do relacionamento)
falta de intimidade
dificuldades de comunicação entre o casal, ou ainda, devido a tabus sobre a própria sexualidade, como, por exemplo, associações de sexo com pecado, com desobediência ou com punições
Inibições decorrentes de traumas sexuais (abuso sexual, estupro)
doenças, a problemas hormonais e ao uso de certas drogas e remédios.

O diagnóstico pode ser feito por médico clínico, ginecologista, psiquiatra ou psicólogo, através das queixas apresentadas pela paciente; dependendo das queixas, pode ser necessária a realização de exames, para se descobrir a origem da falta de desejo.
O tratamento se faz de acordo com a causa. Quando houver problemas clínicos (doenças), a paciente deve ser encaminhada para um especialista, quando necessário (por exemplo, um endocrinologista quando houver problemas hormonais), sendo que cada tipo de diagnóstico vai requerer um tipo específico de tratamento. Entretanto, a maioria dos casos deve-se a problemas psicológicos ou problemas no relacionamento do casal, e esses deverão ser tratados por psicólogo ou psiquiatra, tentando descobrir as causas, compreendê-las e resolvê-las.
A anorgasmia ou disfunção orgásmica é a falta de sensação de orgasmo na relação sexual. Pode ser primária, quando a mulher nunca teve orgasmo na vida, ou secundária, quando tinha orgasmos e passou a não tê-los mais. Ainda pode ser classificada em absoluta, quando a anorgasmia ocorre sempre, e situacional quando ocorre só em certas situações (por exemplo, em certos locais em que a pessoa não se sente confortável, ou com parceiro com o qual tenha algum tipo de conflito). A mulher com anorgasmia pode aproveitar plenamente das outras fases do ato sexual, isto é, tem desejo, aproveita as carícias e se excita, porém algo a bloqueia no momento do orgasmo.
As causas da anorgasmia são principalmente psicológicas, envolvendo problemas nos relacionamentos interpessoais, conflitos a respeito da sexualidade, falta de conhecimento do próprio corpo e sensações, dificuldade na intimidade e comunicação do casal em assuntos sobre sexo. Problemas clínicos também podem causar anorgasmia, por exemplo, acidentes que atingem a medula espinhal, alterações hormonais, corrimentos vaginais freqüentes ou ainda anormalidades na forma da vagina, do útero ou dos músculos que formam a região pélvica (região onde se situam os órgãos genitais).
O vaginismo é uma contração inconsciente, não desejada, da musculatura da vagina, que ocorre quando a pessoa imagina que possa vir a ter um ato sexual. Essa contração atrapalha ou impede a introdução do pênis, a qual, se for tentada causará muita dor, sendo que na maioria das vezes o casal não consegue ter ato sexual com penetração.
Pode ser conseqüência de uma educação rígida que provocou muitos tabus sexuais gerando conflitos psicológicos, conseqüência de traumas sexuais (estupro ou abuso sexual) ou de experiências sexuais anteriores que tenham causado sofrimento físico.
O diagnóstico é feito em geral pelo ginecologista, através do relato da paciente e também pelo exame ginecológico. O tratamento consiste em identificar e tentar modificar a causa do vaginismo.
Esse tipo de tratamento é feito por ginecologistas ou terapeutas sexuais, e consiste na realização de exercícios genitais com a intenção de conseguir o relaxamento da pessoa, tentando evitar que ocorra a contração no momento do ato sexual e no entendimento das causas psicológicas associadas.
Esse tipo de tratamento é feito por ginecologistas ou terapeutas sexuais, e consiste:
No entendimento das causas psicológicas
Na realização de exercícios genitais com a intenção de conseguir o relaxamento da pessoa, tentando evitar que ocorra a contração no momento do ato sexual.

A dispareunia é a dor genital que ocorre repetidamente antes, durante ou após o ato sexual.
As causas mais comuns são doenças ginecológicas (tipo corrimento vaginal ou alterações no formato da vagina) ou contração da musculatura vaginal durante o ato sexual, devido a conflitos psicológicos relativos à sexualidade.
O diagnóstico em geral é feito pelo ginecologista, também se faz pela análise das queixas da paciente e do exame ginecológico e o tratamento será de acordo com a causa, isto é, tratamento para a doença diagnosticada, feito em geral pelo próprio ginecologista ou tratamento com psicólogos ou psiquiatras, quando o problema for decorrente de conflitos psicológicos.
Disfunções Sexuais Masculinas
As disfunções sexuais masculinas mais comuns são: a disfunção erétil (impotência) e a ejaculação precoce.
A disfunção erétil conhecida como impotência, consiste na incapacidade em obter ou manter uma ereção que permita manter uma relação sexual, ou seja, o homem não consegue que seu pênis fique e permaneça duro e assim consiga ter relação sexual com penetração.
As causas mais comuns são:
 
Doenças como diabetes, pressão alta, colesterol alto
Traumas ou acidentes envolvendo a medula espinhal ou o próprio pênis
O fumo, uso de drogas e alguns medicamentos (principalmente aqueles usados para tratamento de problemas do coração)
Abuso de álcool
Causas psicológicas (medos ou tabus em relação à sexualidade)

O paciente poderá ser encaminhado ao urologista (especialista que trata esses casos), onde certos exames podem ser feitos para descobrir a causa da impotência.
O tratamento dependerá da causa. Para alguns casos de impotência existem medicamentos ou injeções intrapenianas, que deverão ser usados apenas com prescrição médica, pois são indicados para casos específicos. Próteses penianas ficariam como última opção, pois uma vez colocadas não há como retirá-las, e são indicadas apenas quando nenhuma outra opção funcionou.
É importante lembrar que muitas vezes fatores psicológicos podem causar disfunção erétil. Conversar sobre esses conflitos internos com psicólogo ou psiquiatra podem resolver o problema sem ser necessário outros tipos de tratamento.
A ejaculação precoce acontece quando o homem não tem controle sobre sua ejaculação, não conseguindo segurá-la até o final do ato sexual, o que leva a uma redução na sensação de prazer. Assim, a ejaculação pode ocorrer logo que o homem tem pensamentos eróticos e ereção, sem nem ocorrer a penetração, ou ainda logo após haver a penetração. A ejaculação precoce pode ser decorrente de causas físicas (doenças, traumatismos) ou mais comumente de problemas psicológicos. Quando o homem nunca teve controle ejaculatório, o mais comum é que seja por causas psicológicas (como ansiedade, primeiras experiências sexuais tensas ou ainda dificuldades no relacionamento do casal). Mas quando o homem tinha controle ejaculatório e passou a não ter mais, é necessário fazer exames com um urologista e neurologista, pois mais provavelmente a causa do problema é física. O tratamento depende da causa: tratamentos específicos para as doenças encontradas ou lesões diagnosticadas, feitos pelo urologista ou neurologista; ou psicoterapia (tratamento psicológico) para os problemas psicológicos, com psicólogo especializado em Sexologia..

sábado, 7 de novembro de 2015

O Trauma Nupcial é para Todos.





Não sou Freudiana, mas certa vez me deparei com a seguinte frase: 

"O primeiro trauma sexual se adquire na noite de núpcias"

Não demorou muito para que eu visse em que ponto a noite de núpcias seria traumática, também para os homens.
Com relação às mulheres virgens, não é difícil de entender todo o pavor desta noite tão importante. 
Muitas vezes, esse trauma começa dentro de casa ou no caso de religiões ortodoxas. A sociedade também colabora para que não seja um mar de flores esta noite tão especial. Historicamente falando, isso vem de séculos datados, (começou no século 18), a partir do conhecimento do que as pessoas faziam e como era tratado dentro de casa e pela igreja que sempre foi um pilar forte e exigente diante das pessoas.

O medo de sentir dor: por exemplo, é a primeira coisa que é encontrado nos relatos dessas mulheres que estão prestes a se casar.
Vai doer? Vai! Não vou mentir, mas é uma coisa suportável, uma pequena ardenciazinha, um desconforto, pois afinal de contas é um local sensível, intocado, que nunca foi ferido ou cortado, assim como um dedo ou uma perna, enfim. 
Na verdade, essa dor é também proveniente da tensão nervosa, o medo, a ansiedade, pensamentos embaralhados onde isso colabora com que o corpo não relaxe, a vagina se contraia mais e mesmo com a insistência e paciência do homem, a mulher vai sentir muito mais dor, as pernas se fecham e ai começa o terror.

Medo de ser rejeitada: Esse medo é também muito encontrado quando a mulher insegura de achar que não será suficientemente boa na cama para o esposo, que não conseguirá satisfazer suas vontades.
Bem, pra inicio de conversa, vc é virgem, não sabe de nada, uma tábula rasa. Seu esposo vai lhe ensinar tudo ou pelo menos parte, se assim vc desejar o que ele sabe.  Irá explorar áreas de prazer, onde algumas vezes transparecerá vergonha, encabulação, medo de fazer errado (a mulher). A rejeição, aparece quando o casal não se entende e o homem arrogante não tem capacidade de ajudar a esposa, impaciente, machista etc. Reclamar é muito fácil, mas ensinar é um campo de muita paciência e gosto. 
Por isso, quando escuto alguns homens que dizer que sua parceira é "mais ou menos na cama", venho logo com o discurso:

" Ela não é ruim na cama ou mais ou menos, é você que não soube ensinar tudo o que sabe ou é inexperiente e impaciente. A mulher é como uma esponja, ela absorve tudo o que está a sua volta. Se vc ensinar sobre o prazer corporal, ela irá tentar fazer até acertar. Então, se a sua esposa não é boa de cama a incompetência é de quem ensina".

Não conseguir dar prazer: Como citei acima, se o homem for paciente, compreensivo e inteligente, ele irá ensinar o que sabe para a esposa para o prazer de ambos. A mulher a priori, não precisa ter toda essa carga emocional, ela precisa estar atenta e aproveitar o momento.

Não ter um corpo atraente: Por mais que as roupas tampem o corpo, o homem não é cego e sim, observador. Se ele está casando com você, o corpo, a inteligencia, a amizade, relação de afeto, amor, foram coisas que entraram no quesito: Escolher esposa, mãe dos meus filhos. Atração sexual, aparece desde o primeiro momento em que as pessoas se conhecem, isso é fato. Tudo o que você pode fazer é, continuar sendo atraente para o seu esposo, saiba como e siga.

Grande parte de situações assim acabam ocorrendo as disfunções sexuais, incompatibilidade, não consumação do ato, anulação do casamento etc. 
As disfunções são na maioria das vezes psicológicas, a partir do momento em que mesmo depois da noite de nupcias o ato ainda não seja consumado, tem de se fazer uma análise do problema com o ginecologista, primeiramente. Após isso, o encaminhamento ao psicólogo especialista em sexologia. 

Sobre os homens, eu também observo uma carga emocional muito grande neste momento tão importante.
Medo de falhar, medo dela não gostar, tem que ter um ótimo desempenho, tem que ser paciente, tem que se mostrar homem.
Isso é muito proveniente na família e na sociedade, que ensinam q o homem tem de ser potente, forte, estar sempre pronto, não pode falhar etc. 
Essa carga toda também se transforma em medo e ansiedade, fora que ele tem der ser muito mais para sua esposa (macho, viril, forte), tem que mostrar serviço.
Muitos casos também de disfunções sexuais começam assim, inclusive também observando que a timidez, auxiliar a piorar a situação.

Desde que o mundo é mundo essas questões existem, mas nunca fomos capazes de encontrar um fundamento do por que isso acontece na grande maioria. São situações que remetem desde nossa infância e isso nos torna adultos traumatizados.

Foquei mais na virgindade, mas há casos também que, mesmo ter sido feito algo antes de se casar, tanto o homem e a mulher que já possuem uma certa experiencia, esses traumas também podem aparecer. às vezes fico pensando, que esse momento é tão importante após a oficialização do casamento, que mesmo assim a ansiedade fica fantasmagorizando as pessoas. Isso pode acontecer.

Mente livre, foco, confiança, segurança, paciência, amor e compreensão, são fontes importante para que não aja traumas. Basta trabalhar isso bem na sua cabeça!
Aproveite! Permita-se a ser feliz!




terça-feira, 13 de outubro de 2015

Entrevista da Revista O Flu - Dia do Sexo

Olá, boa noite a todos!

Lembrei que fiz uma nova entrevista para a Revista O Flu, de Niterói - Rj e esqueci de postar aqui.
Então, eis aqui ela!
Espero que gostem!

Bjs

http://www.ofluminense.com.br/pt-br/revista/dia-do-sexo


quinta-feira, 27 de agosto de 2015

DIA DO PSICÓLOGO!!

São 5 anos, entre livros, apostilas, mestres, provas, trabalhos, resenhas, testes, laboratório, estágios...
Acordando cedo e dormindo tarde.
Tem uns com filhos, marido/esposa, outros moram só, com amigos ou desconhecidos ou com a família.
Uns trabalham no meio da faculdade, uns pagam a própria.
Ao fim disto, um título de ouvinte, estudioso, atencioso, sincero, transparente, que sabe dar o ombro, a mão e um sorriso na medida certa...Na hora certa.
Há quem dá valor, outros acham que é um bate papo para ganhar dinheiro fácil.
Só quem vive uma dor sabe nos dar o valor e cabe a nós sermos humanos o bastante para ajudar, encaminhar, "dar uma vela", faze-lo brilhar.
Profissão fácil? Claro que não!!
Lutamos como qualquer pessoa que sai de um sonho para na realidade ter seu lugar a sol.
Profissão bonita? Sim. E sabe por quê?
Porque além de ajudarmos os outros que necessitam de apoio, nosso amor e dedicação, fazemos com que a beleza dela fique ainda mais evidente, vibrante.
Psicólogos são flores em um grande campo iluminado pelo sol da manhã, onde borboletas, abelhas, joaninhas e passarinhos chegam até nós para conseguir seu necessário, sua energia vital, seu enlevo, sua satisfação.
Ser psicólogo é um caminho que gera a melhor coisa aos olhos e ao coração dele próprio: Saber dar aquilo que o outro precisa para viver bem consigo e o mundo a sua volta.
Feliz dia do Psicólogo aos meus queridos amigos, colegas e mestres!
Ps: Desculpe a demora para felicitar, mas fui ajudar algumas pessoas a viverem bem, longe dos males do âmago e buscarem sua felicidade.
Bjs

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

DINFUNÇÕES SEXUAIS

    Uma Disfunção Sexual caracteriza-se por uma perturbação nos processos que caracterizam o ciclo de resposta sexual ou por dor associada com o intercurso sexual. O ciclo de resposta sexual pode ser dividido nas seguintes fases:
1. Desejo: Esta fase consiste de fantasias acerca da atividade sexual e desejo de ter atividade sexual.
2. Excitação: Esta fase consiste de um sentimento subjetivo de prazer sexual e alterações fisiológicas concomitantes. As principais alterações no homem consistem de tumescência e ereção peniana. As principais alterações na mulher consistem de vasocongestão pélvica, lubrificação e expansão vaginal e turgescência da genitália externa.
3. Orgasmo: Esta fase consiste de um clímax do prazer sexual, com liberação da tensão sexual e contração rítmica dos músculos do períneo e órgãos reprodutores. No homem, existe uma sensação de inevitabilidade ejaculatória, seguida de ejaculação de sêmen. Na mulher, ocorrem contrações (nem sempre experimentados subjetivamente como tais) da parede do terço inferior da vagina. Em ambos os gêneros, o esfíncter anal contrai-se ritmicamente.
4. Resolução: Esta fase consiste de uma sensação de relaxamento muscular e bem-estar geral. Durante esta fase, os homens são fisiologicamente refratários a outra ereção e orgasmo por um período variável de tempo. Em contrapartida, as mulheres podem ser capazes de responder a uma estimulação adicional quase que imediatamente. Os transtornos da resposta sexual podem ocorrer em uma ou mais dessas fases. Sempre que mais de uma Disfunção Sexual estiver presente, todas são registradas. Os conjuntos de critérios não fazem qualquer tentativa de especificar uma freqüência mínima ou faixa de contextos, atividades ou tipos de encontros sexuais nos quais a disfunção deve ocorrer. Este julgamento deve ser feito pelo clínico, levando em consideração fatores tais como a idade e experiência do indivíduo, freqüência e cronicidade do sintoma, sofrimento subjetivo e efeito sobre outras áreas do funcionamento. As palavras "persistente ou recorrente" nos critérios de diagnóstico indicam a necessidade deste julgamento clínico. Se a estimulação sexual é inadequada em foco, intensidade ou duração, não é feito o diagnóstico de Disfunção Sexual envolvendo excitação ou orgasmo.
Subtipos
          Os subtipos são oferecidos para indicar o início, contexto e fatores etiológicos associados com as Disfunções Sexuais. Se múltiplas Disfunções Sexuais estão presentes, os subtipos apropriados para cada uma podem ser anotados. Estes subtipos não se aplicam a um diagnóstico de Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral ou Disfunção Sexual Induzida por Substância. Um dos seguintes subtipos pode ser usado para indicar a natureza do início da Disfunção Sexual:
Tipo Ao Longo da Vida. Este subtipo se aplica se a Disfunção Sexual está presente desde o início do funcionamento sexual.
Tipo Adquirido. Este subtipo se aplica se a Disfunção Sexual se desenvolve apenas após um período de funcionamento normal. Um dos seguintes subtipos pode ser usado para indicar o contexto no qual a Disfunção Sexual ocorre:
Tipo Generalizado. Este subtipo se aplica se a Disfunção Sexual não está limitada a certos tipos de estimulação, situações ou parceiros.
Tipo Situacional. Este subtipo se aplica se a Disfunção Sexual está limitada a certos tipos de estimulação, situações ou parceiros. Embora na maior parte dos casos as disfunções ocorram durante a atividade sexual com um parceiro, em alguns casos pode ser apropriado identificar disfunções que ocorrem durante a masturbação. Um dos seguintes subtipos pode ser usado para indicar os fatores etiológicos associados com a Disfunção Sexual: Devido a Fatores Psicológicos. Este subtipo aplica-se quando fatores psicológicos supostamente desempenham um papel importante no início, gravidade, exacerbação ou manutenção da Disfunção Sexual, e condições médicas gerais e substâncias não exercem qualquer papel na etiologia da Disfunção Sexual.
Devido a Fatores Combinados. Este subtipo aplica-se quando 1) fatores psicológicos supostamente desempenham um papel no início, gravidade, exacerbação ou manutenção da Disfunção Sexual e 2) uma condição médica geral ou uso de substância também contribui, supostamente, mas não basta para explicar a Disfunção Sexual. Se uma condição médica geral ou uso de substância (inclusive efeitos colaterais de medicamentos) é suficiente para explicar a Disfunção Sexual, pode-se diagnosticar Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral e/ou Disfunção Sexual Induzida por Substância.
Características Específicas à Cultura, à Idade e ao Gênero
          O discernimento clínico acerca da presença de uma Disfunção Sexual deve levar em consideração a bagagem étnica, cultural, religiosa e social do indivíduo, que pode influenciar o desejo sexual, as expectativas e atitudes quanto ao desempenho. Em algumas sociedades, por exemplo, o desejo sexual por parte da mulher recebe menor relevância (especialmente quando a fertilidade é a preocupação principal). O envelhecimento do indivíduo pode estar associado com uma diminuição do interesse e funcionamento sexual (especialmente em homens), mas existem amplas diferenças individuais nos efeitos da idade.
Prevalência
          Existem muito poucos dados epidemiológicos envolvendo a prevalência das várias disfunções sexuais, e esses mostram uma variabilidade extrema, provavelmente refletindo diferenças nos métodos de avaliação, definições usadas e características das populações amostradas.
Diagnóstico Diferencial
          Se o clínico considera que a Disfunção Sexual é causada exclusivamente pelos efeitos fisiológicos de uma determinada condição médica geral, o diagnóstico é de Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral. Esta determinação fundamenta-se na história, achados laboratoriais ou exame físico. Quando se supõe que a Disfunção Sexual é causada exclusivamente pelos efeitos fisiológicos de uma droga de abuso, um medicamento ou exposição a uma toxina, o diagnóstico é de Disfunção Sexual Induzida por Substância. Cabe ao clínico investigar atentamente a natureza e extensão do uso de substâncias, inclusive medicamentos. Os sintomas que ocorrem durante ou logo após (isto é, em 4 semanas) a Intoxicação com Substância ou após o uso de medicamentos podem ser especialmente indicativos de uma Disfunção Sexual Induzida por Substância, dependendo do tipo ou quantidade da substância usada ou duração do uso. Se o clínico determinar que a disfunção sexual se deve tanto a uma condição médica geral quanto ao uso de uma substância, podem ser dados ambos os diagnósticos (isto é, Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral e Disfunção Sexual Induzida por Substância). Um diagnóstico de Disfunção Sexual primária com o subtipo Devido a Fatores Combinados é feito quando se presume o papel etiológico de uma combinação de fatores psicológicos e uma condição médica geral ou substância, mas nenhuma etiologia isolada é suficiente para explicar a disfunção. Se o clínico não consegue determinar os papéis etiológicos dos fatores psicológicos, de uma condição médica geral e do uso de uma substância, diagnostica-se Disfunção Sexual Sem Outra Especificação. O diagnóstico de Disfunção Sexual também não é feito se a disfunção é melhor explicada por outro transtorno do Eixo I (por ex., se a redução do desejo sexual ocorre apenas no contexto de um Episódio Depressivo Maior). Entretanto, se a perturbação no funcionamento sexual antecede o transtorno do Eixo I ou é um foco de atenção clínica independente, pode ser feito um diagnóstico adicional de Disfunção Sexual. Em geral, se uma Disfunção Sexual está presente (por ex., Transtorno da Excitação Sexual), Disfunções Sexuais adicionais também estarão presentes (por ex., Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo). Nesses casos, todos os transtornos devem ser diagnosticados. Um Transtorno da Personalidade pode coexistir com uma Disfunção Sexual. Nestes casos, a Disfunção Sexual deve ser registrada no Eixo I, e o Transtorno da Personalidade, no Eixo II. Se uma outra condição clínica, como Problema de Relacionamento, está associada com a perturbação no funcionamento sexual, a Disfunção Sexual deve ser diagnosticada, e a outra condição clínica também é anotada no Eixo I. Problemas ocasionais com o desejo sexual, excitação ou orgasmo que não são persistentes ou recorrentes ou não são acompanhados por acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal não são considerados como Disfunções Sexuais.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

APATIA SEXUAL ENTRE CASAIS




Como terapeuta e orientador sexual, há 25 anos, posso concluir que a causa principal dos desajustes sexuais entre casais sobrevem da indolência de um ou de ambos os cônjuges. Este argumento é válido para aqueles casais que outrora foram sexualmente adequados tanto no aspecto afetivo como no biológico propriamente dito e que agora se ressentem em suas ruminações e avaliações silenciosas; preventivamente prefiro não considerar as disfunções sexuais em suas características particulares, principalmente com relação às suas causas remotas. Seria assunto mais adequado para palestras com tempo prolongado e participação ativa dos casais.
Aprendemos com Freud e nos convencemos de que a libido é a energia fundamental do ser vivo, principalmente do Homem. Esta energia é vital para a sobrevivência e se manifesta por meio da sexualidade em seu sentido amplo. Freud referiu a libido como oriunda do instinto de vida e, este, o motivo da existência. O poder da libido é ilimitado e nós podemos utilizá-la convenientemente para diversos fins sem adulterar seus propósitos verdadeiros, embora devamos tomar o cuidado para não investi-la totalmente num único alvo. A sublimação da sexualidade é uma forma de investimento libinal para fins socialmente aceitáveis, porém essa inversão deve ser apenas um empréstimo temporário e restituível brevemente para não acontecer a falência da vida. Um dos primeiros sinais de falência libidinal é a indiferença afetiva - a falta de responsividade aos prazeres, até então existentes, mormente à intimidade sexual. Muitos outros sinais denunciam a estagnação da libido e, entre eles podemos considerar a tendência das pessoas ao isolamento social, a falta de metas, o abandono de si mesmo, a percepção acerbada da vida e a renúncia aos contatos humanos mais íntimos. Entre os casais o contato assume uma distância inalcançável e se mostra presente através das constantes críticas, das animosidades, da anulação do outro e das agressões físicas.
A apatia sexual comum entre casais, principalmente daqueles que convivem há muito tempo, é o retiro protetor do pouco que resta da dignidade pessoal ou do amor-próprio, talvez uma forma sutil de represália para destruir o outro. O relacionamento sexual pode, paradoxalmente, acontecer nestas circunstâncias. Em alguns casais, quando a hostilidade chega ao extremo da tolerância, as relações sexuais se intensificam para dissimular o ódio insustentável à estima dilacerada pelas dissensões nutridas no trato diário. Estes casais normalmente referem suas atividades sexuais como sendo a garantia da convivência, ou sejam, aludem o sexo como condição de compatibilidade e, quase sempre afirmam darem certo "apenas na cama", sem saberem na verdade que este comportamento sexual é produto do infortúnio afetivo crônico - o autêntico relacionamento sádico-masoquista, ou melhor ainda, a libido desvirtuada se sujeitando ao poder da hostilidade recíproca - neste ponto a convevivência está severamente comprometida, irresgatável e destruidora para toda a família. É o extremo que não deveria ter chegado, pois a essas alturas, a terapia de casal ou qualquer outra alternativa são inúteis. Nenhum dos cônjuges consegue ceder a qualquer ajuda, pois isto significaria ser derrotado pelo outro. O que fazer então para prevenir?
Qualquer médico ou psicoterapeuta prefere utilizar de meios preventivos ou educativos que tratar de males já estabelecidos. A prevenção é muito mais eficiente que o tratamento, pois através daquela informamos, orientamos e damos sugestões para experiências gratificantes - a racionalidade é mais utilizada e eficiente quando ainda não se tem elementos perniciosos encravados no sentimento das pessoas.
Um dos pontos fundamentais para um bom relacionamento afetivo-sexual é a comunicação assertiva, onde o casal pode aprender a ouvir, falar honesta e diretamente sem rodeios sobre o que sente e pensa a respeito do outro sem que faça julgamentos pessoais ou projete os rancores sob a forma de agressões verbais. A melhor forma para expressar assertivamente os ressentimentos é falando sempre na "primeira pessoa do singular", ou seja, falando sobre o que sente com relação à atitude do outro - isso, além de proteger o outro em sua dignidade e amor-próprio, impossibilita a oportunidade de retaliações. A submissão da mulher à decisão sexual do parceiro é um aspecto cultural danoso num relacionamento conjugal, pois não se leva em consideração a disponibilidade e a vontade dela. É claro que a mulher sente-se bem ao ser requestada, embora devemos lembrar que compete a ela o poder biológico da sedução - como qualquer outra fêmea no reino animal. O ciclo bio-sexual da mulher tem um propósito único de reprodução e, por isso, seu apetite é ordenado para determinado período do ciclo menstrual, mais precisamente no período fértil do ciclo menstrual regular de 28 dias, ou seja, por volta do décimo quarto dia. O homem porém, não possui estes determinantes cíclicos e a sua espermatogênese só termina com sua morte - é um reprodutor por excelência, cuja função é produzir seres semelhantes para evitar a extinção biológica da espécie - é a lei natural da sobrevivência. Por isso o homem está, instintivamente, sempre predisposto ao ato sexual.
Contudo, as determinações biológicas não podem imperar sobre a racionalidade necessária para a adaptação no ambiente e, por isso, devemos conciliar as forças naturais para a continuidade da vida e as conveniências sociais, econômicas, morais e religiosas. Se não se entende esse fenômeno, o fracasso é a única meta atingível. Ao se instituir o casamento oficial (religioso e/ou legal) o homem e a mulher passaram a buscar o ajustamento à premência comandada pela necessidade natural de reprodução e, foi aí que desenvolvemos a capacidade de amar - forma sublime e inteligente de domesticar as exigências do impulso sexual constante do homem. Perfeito! Algumas pessoas evidentemente não conseguiram evoluir e sublimar seu instinto sexual e se tornaram promíscuos.
Em qualquer relacionamento humano persistente faz-se necessário fazer constantes reformulações, sendo a criatividade neste caso, o principal meio para tornar a convivência satisfatória. A inventividade humana é um dos aspectos mais relevantes da inteligência e, é através dela que se consegue a adequação às mais diversas situações, quer sejam benéficas ou não. Num relacionamento conjugal a criatividade é imprescindível, senão a única forma de tolerarmos a monotonia e os "mesmismos" inevitáveis do dia-a-dia. A relação conjugal não está demarcada simplesmente pelas necessidades sexuais, existem vários fatores que interferem para interceptá-las, sufocá-las, impedi-las ou exacerbá-las.
É difícil coincidir que duas pessoas tenham a mesma carga de erotismo. Para algumas pessoas o sexo é essencial para a sua vida, enquanto que para outras ele é apenas um acessório do contexto biológico. Para muitas pessoas, entretanto, seus desejos sexuais não são constantes, mas se revelam através de várias alternativas. Para outras a freqüência sexual obedece intervalos prolongados, porém com muito colorido erótico e satisfação inusitada. Em suma, cada pessoa possui um ritmo erótico peculiar, idiossincrático. O mais importante, contudo, é a adequação entre os parceiros sem que um se sinta coagido pelo ritmo do outro e se submeta incondicionalmente ao interesses dele.
A maioria dos casais fica na expectativa dos sinais biológicos deflagrados pela necessidade sexual natural, ou seja, aguarda as determinações cíclicas do desejo sexual procriativo. Não procura desenvolver nenhuma cerimônia erótica, pelo contrário, se afasta porque a lâmpada verde está apagada e não se acende sozinha. Não faz nada para acioná-la. Esta é uma das razões da apatia - o afastamento por indolência afetiva.
O erotismo em seu sentido amplo, é na verdade o interesse pela outra pessoa. Ele está implícito nas trocas intelectuais, emocionais, na capacidade de envolvimento, na dedicação e no desprendimento. O erotismo é uma das manifestações de liberdade mais evidentes e saudáveis do ser humano. É somente através do erotismo que a pessoa consegue desapegar do egoísmo e se confundir e assimilar o amor recíproco. O melhor caminho é o encontro físico dos contatos que, daí, deflagram os mais enlevados sentimentos de onipotência.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Leitura que Prende




Tenho um velho hábito, até bastante interessante quando trabalho com o aumento da libido com meus pacientes. Além de proporcionar exercícios caseiros, trabalhos para o alivio da ansiedade e também a reconstrução de uma relação a dois, indico livros.
Sempre fui aficionada por leitura de todos os tipos, mais precisamente literatura inglesa e americana.
Deixo aqui alguns livros interessantes para quem quiser.
E há quem diga que isso não dá um gás!
Prove!

1- Mulheres - Charles Bukowski (Nem sonho em citar todos!!)
2- Pequenos Pássaros - Anais Nin
3- O Delta de Vênus - Anais Nin
4- Filosofia na Alcova - Marques de Sade
5- Fanny Hill - John Cleland
6- Decamerão - Giovanni Boccaccio
7- Justine - Marques de Sade
8- Satiricon - Petronius
9- A História do olho - Georges Batailles
10- A História de O - Anne Desclos (tem tb a versão em Quadrinho já disponível nas livrarias)
11 - Valentina - Guido Crepax (HQ)
12- Click! - Milo Manara (HQ)
13- Os Borgias - Milo Manara (HQ)
14- A Vênus das Peles - Sacher-Masoch
15- O Retrato de Dorian Grey - Oscar Wilde.

Bem, vc deve estar se perguntando: "E 50 Tons de Cinza"?
Como sexóloga, eu respondo: Já li e aquilo não é literatura erótica, mas sim um meio de se ganhar dinheiro e acredito de uma certa maneira, liberar a imaginação de mulheres fragilizadas, cansadas (atualmente dizendo) e por que não, libertarem-se do mal estar que cerca a por anos a fio: Religião e Sociedade. Lembrando que durante séculos a mulher foi alvo da repressão e o sexo era mal visto, até o final dos anos 60, mesmo com a Revolução Sexual foi e ainda é mal colocado.
Sexo, prazer, você adquire liberdade através de seus conhecimentos e a liberdade para com o seu corpo.
"Olhar para si e depois o mundo a sua volta" Esse é o segredo que Wilhelm Reich ensinou e mesmo assim, foi ignorado.
Pense a respeito!

E vc? Tem algum livro para indicar? Deixe aqui o seu recado, adorarei compartilhar coisas "novas". Obrigada!

domingo, 1 de dezembro de 2013

1 de Dezembro de 2013 - mais um ano sem nada de novo para contar!


"O meu prazer
Agora é risco de vida
Meu sex and drugs
Não tem nenhum rock 'n' roll"
(Cazuza - Ideologia)
1 de Dezembro de 2013 - Dia mundial de Combate a AIDS.
As pessoas estão se conscientizando??Não. Não existe uma conscientização quando se tem propagandas alertando sobre o uso de preservativo passando SOMENTE no carnaval (alias, tenho que patentear as coisas que falo e escrevo, nesse artigo embaixo a médica falou exatamente o que sempre falei),Não existe e não vai existir um trabalho focado e uma boa injeção de informações sobre o assunto. Muitas escolas ainda proíbem a educação sexual em seu quadro de matérias, as famílias estão cada vez mais sem tempo de ensinar, a mídia tem cada vez menos espaço para coisas importantes...Eu pergunto: Onde as pessoas terão consciência e informações para estarem aprendendo a se cuidar e prevenir sobre um mal? Propaganda custa caro, impressão de livros, panfletos explicativos custa caro, anunciar que camisinhas são distribuídas em postos de saúde e hospitais públicos (coisa que a maioria não sabe disso) deve ser preguiçoso falar sobre, passar informação para as pessoas aprenderem a viver mais não é interesse do governo, na verdade, não é interesse de ninguém!!!
É mais saudável saber que semana que vem terá show das poderosas do que pegar um livro para ler, pesquisar, cuidar do corpo e da vida. 
O Virus cresce pq é alimentado e fortificado pela ignorância.

http://saude.ig.com.br/minhasaude/2013-12-01/numero-de-mortes-por-aids-diminui-mas-o-de-infectados-por-hiv-aumenta.html

terça-feira, 26 de novembro de 2013

O Desabafar da promoção de um trabalho

Preciso desabafar!!!
Estou há 2 dias trabalhando dentro de mim e fazendo um discurso metodológico e histórico sobre a Sexualidade humana, onde após ter assistido a série Masters of Sex tenho reencontrado outras hipóteses e mudanças em exercícios que aplico teoricamente para meus pacientes. Esqueçam Freud, não compreender a sexologia e a fisiologia é pior do que falar um monte de asneiras sem nunca ter experimentado. Esqueçam Shere Hite. Deduções todos nós temos, mas precisamos escutar, estudar, analisar, discutir...Me sinto fazendo Expo Facto novamente, quando eu era apenas uma estudante de Psicologia e tb uma estudante em período de pós graduação. Me senti invadida de um sentimento de responsabilidade em transmitir um assusto que ainda é tão conturbado e sim, ainda desconhecido e reprimido entre as pessoas por questões psicológicas e físicas graças às ordens sociais, familiares e religiosas. O ser humano precisa se descobrir, precisa respeitar o outro, precisa se desprender e ser ilimitado...embora, muitas vezes não somos racionais, mas neste quesito devemos ser para o nosso bem e de outros a nossa volta. A responsabilidade e a capacidade de aprender a ensinar a sexualidade depende de onde podemos levar nossa liberdade, depende somente de nós desamarramos a mordaça e a venda...Sexo é sério, não somente quando adoecemos, mas para a formação de um mundo. Estudar sobre sexo não te faz ser um pervertido, uma prostituta, mas sim, alguém que deseja melhorar a mente e o corpo daqueles que procuram a sexologia para auxiliar. Quando se tem um problema em que fica cada dia mais difícil de alcançar o sucesso, procure um profissional, não é vergonhoso, saiba que vc está dando seu primeiro maior passo para ter uma vida novamente feliz.

domingo, 6 de outubro de 2013

MINHA MATERIA DO JORNAL O FLUMINENSE SOBRE O ORGASMO

Neste domingo, dia 6 de outubro de 2013, saiu minha matéria sobre o Orgasmo na Revista do Jornal o Fluminense, na região de Niterói - Rj.

O Site está correto, mas infelizmente a Revista que está circulando nas bancas meu sobrenome está errado. Ao invés de Aldeia, o repórter achou que sou parente dele e colocou Almeida. Uma grande pena pois perdi um divulgação do meu trabalho na mídia por uma falta de revisão dos responsáveis.

Mas deixo aqui o link do site que está correto. Espero que gostem!
http://www.ofluminense.com.br/editorias/revista/orgasmo-femininochegando-la

Obrigada,
Bjs,
LILIAN ALDEIA

http://www.ofluminense.com.br/editorias/revista/orgasmo-femininochegando-la

terça-feira, 27 de agosto de 2013

FELIZ DIA DO PSICÓLOGO!!

Sou Gestaltista.
Sou Psicanalista.
Sou Humanista.
Sou Analítico.
Sou Cognitivo Comportamental.
Sou Analista Transacional.
Sou Corporal.
Sou Existencial.
Sou Musicoterapeuta.
Sou Arteterapeuta.
Sou Abordagem Centrada na Pessoa.
Sou PNL.
Sou Psicodrama.
Não importa sua linha, seu seguimento...Importa sua capacidade, seu empenho, sua importância, seu acalento, sua atenção, seu "quebra-cuca", "dar nó", aconselhamento, definição, promoção de saúde e bem estar, a auto estima que vc traz de volta, o auxílio, a solução, o sorriso, as lágrimas...Durante 5 anos somos iguais. Após isso, cada um com seu cada qual aumentando o conhecimento e se aperfeiçoando naquilo que o encantou, eterno estudantes de um profissão que é um fascínio. Somos todos iguais...Somos todos Psicólogos!
Feliz dia do Psicólogos a todos os meus amigos e mestres!!!!
Bjs
Lilian Aldeia

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Orgasmo

Orgasmo...Palavra de grande significado e dor de cabeça maior ainda para muitos homens e mulheres que não compreendem o por quê de não conseguirem atingir esse mínimo de carga/descarga bioenergética. A falta de orgasmo é muito mais psicológica do que orgânica, casos como a anorgasmia (ausência de orgasmo dividida em primaria e secundária), vaginismo (fechamento do canal vaginal) e dispareunia (dor na relação). Tratamentos existem e muitas pessoas se sentem desconfortáveis em procurar ajuda pois, falar de algo assim é vergonhoso, intimidador, doloroso e acaba doendo ainda mais por não se permitir. Procurar ajuda não é sinal de impotência por não conseguir resolver o problema, é sinal de coragem e força de vontade.
O orgasmo, sua ausência geralmente são questões sociais, familiares e culturais, todas repressoras. Sem contar a couraça caracteriológica que a própria pessoa desenvolve.
Procurando ajuda profissional, atendendo a pedidos caso a necessidade de fazer exercícios, aprendendo a trabalhar seu ego, suas tensões e melhorando sua ligação com o parceiro, sem contar com o aumento da auto estima, tb o fato de se desprender desta busca e se permitir ao ato, essa terminação nervosa, esse choque quase que imperceptível poderá acontecer....Permita-se, sinta-se bem consigo e com o mundo a sua volta! É assim que o orgasmo começa...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A TERAPIA SEXUAL NO TERCEIRO MILÊNIO


Terapia Sexual - trabalhada por sexólogos formados e autorizados pelo CRP. É um tratamento válido e pode ajudar além mais.

Novas perspectivas, velhos conflitos: atacando nos dois lados.

Hoje em dia se vê a medicina como a Era das Pílulas! Milhares de novas medicações entram no mercado. No entanto, será que aquela velha história de existir um Elixir do Amor é verdadeira? Os grandes laboratórios dizem que sim e têm despejado uma série de produtos a cada ano. O que é real nisto tudo?

Os problemas sexuais podem surgir de uma série de causas diferentes. Podem ser desencadeados por problemas físicos (orgânicos) e/ou emocionais (psíquicos). Na verdade, não seria errado dizer que as causas se somam. E saber a natureza do problema é por demais importante, pois só assim podemos decidir que tipo ou linha de tratamento devemos indicar.

Mas atenção! Todo cuidado é pouco. O uso desses medicamentos sem acompanhamento médico pode prejudicar a saúde de quem está justamente procurando ajuda. Procure um psicólogo especializado em sexualidade humana e divida essa responsabilidade com quem mais entende a respeito de seu problema. Não se exponha a procedimentos invasivos sem ouvir uma segunda opinião! A cirurgia nos problemas sexuais é uma das últimas alternativas de tratamento, não sendo eficaz para a maioria das disfunções sexuais.

Quais são as linhas de tratamento?

Tratamento Medicamentoso

Não é uma panacéia milagrosa, mas, se usado com indicação médica, seriedade e esclarecimento de seus possíveis efeitos indesejáveis, pode trazer muitos benefícios e até mesmo a cura. Pode ser utilizado isoladamente ou em combinação com uma das técnicas de psicoterapia, trazendo bem melhores resultados desta forma.

Alguns medicamentos que podem ser utilizados são os chamados antidepressivos, as prostaglandinas, a fentolamina, a papaverina, o sildenafil (Viagra) e alguns hormônios (em casos orgânicos), entre outros. Cada medicação deve ser escolhida de acordo com o perfil do paciente e de suas condições gerais de saúde.

Tratamento Psicoterápico

Nem todo o transtorno sexual responde bem à medicação. Não é raro se tentar o uso de um remédio e ele não funcionar no primeiro momento, trazendo uma série de efeitos indesejáveis e até uma piora no estado do paciente. Não é fácil para ninguém dividir a intimidade de sua vida sexual, ainda mais quando se tem vergonha e constrangimento devido a pouca abertura na educação e na tradição, tanto familiar, quanto social.

A psicoterapia é um método de tratamento muito efetivo, trazendo ótimos resultados. Pode ser feita com o casal ou individual. Uma vez iniciada, ocorre um preparo da pessoa para que ela entenda o que está acontecendo na sua vida sexual, dando-se conta das reações de seu corpo frente a situações negativas sexualmente falando.

Existem várias formas de psicoterapia, mas as mais indicadas para os transtornos sexuais são a Psicoterapia Cognitivo-Comportamental, Focal,  Orientação Analítica, Reichiana e o Psicodrama. Busca-se o clareamento de conflitos internos e de preocupações íntimas e profundas que inibem a vida sexual. A técnica Cognitivo-Comportamental emprega tarefas e exercícios sexuais. A técnica Focal e de Orientação Analítica, oferece interpretações e confrontos ao paciente para que ele se dê conta de suas repressões, com o intuito de mudanças. A psicoterapia Reichiana trabalha com a liberação e o desempenho corporal atravéz de exercícios que podemos fazer em casa. O Psicodrama usa exercícios de teatro e vivências para elaboração dos problemas individuais e interpessoais. Lembrando que, os sexólogos Masters & Johnson foram os pioneiros em técnicas de exercícios para o bem estar sexual. Todas as técnicas são trabalhadas e o psicólogo pode passar o exercício de acordo com o problema da pessoa.

Na medida em que a psicoterapia se desenvolve, surge maior confiança entre o terapeuta sexual e o paciente. Desta forma, quando a medicação é prescrita, é muito melhor tolerada. A confiança no psicólogo é fundamental.

Tratamento Cirúrgico

Essa é a última opção de tratamento para os transtornos sexuais. Geralmente é indicado quando há confirmação de algum problema físico ou quando todas as outras formas de terapia falharam. Em diabéticos crônicos, por exemplo, a prótese peniana tem sido uma forma de recuperar a função sexual e a auto-estima. Mas a exposição a esse tipo de tratamento tão invasivo deve ser obrigatoriamente acompanhada por uma equipe, principalmente por um terapeuta sexual, garantindo a diminuição dos índices de fracasso terapêutico.

Hipnoterapia, Ortomolecular, Neurolinguística, Terapia de Vidas Passadas.

Carecem de comprovação cientificamente aceita para o tratamento dos transtornos sexuais.

Método Tântrico de se chear até o rgasmo. Isso é possível?? Não comprovado, não autorizado como base de tratamento científico.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Podolatria



Observamos que os estudos mais contundentes e efetivamente importantes sobre fetichismo em suas várias formas deram-se nos últimos anos do século XIII : inicialmente o psicólogo criador dos testes de QI, Alfred Binet ( Le Fetichisme dans L`Amour - 1887 ) utilizou o termo "fetichismo" no contexto conhecido hoje, paralelamente à publicação em 1886 do livro Psychopathia Sexualis do neurologista alemão Richard von Krafft-Ebbing, que lançou os termos sadismo e masoquismo. Tudo posteriormente coroado pela obra do médico Sigmund Freud, com a criação da sua monumental teoria psicanalítica.Tivemos algumas incorporações às idéias originais, porém o que efetivamente chamamos hoje de fetichismo não sofreu alteração durante esse um século que nos separa dessas definições.

Por outro lado, a sociedade alterou-se profundamente : a célula mater da sociedade, a família, sofreu mudanças profundas na sua apresentação e formato ; novas formas de comunicação - principalmente o hiperespaço e a cybercultura - apresentaram-se e em curto período de tempo implantaram-se indelevelmente nesta mesma sociedade já rofundamente alterada.

Mas... o que modernizou-se ao falarmos de "fetiche" ? Vemos o mesmo enfoque vitoriano ao tratarmos do presente assunto. O mesmo olhar enviesado, o mesmo "não importar-se"... E o fetiche - e várias de suas implicações - entrou aos poucos no mundo social, principalmente pela porta "fashion", apresentando-se, pela mão de artistas inovadores, em toda sua pujança. O couro incorporou-se definitivamente, o formato sadomasoquista passou a frequentar as casas, as ruas, as escolas e as festas, os outdoor... Mas ainda se fala em voz baixa sobre o amor aos pés.

Em pesquisa pessoal efetuada no ambiente da internet brasileira, catalogamos cerca de cinco mil e-mails cadastrados em listas específicas para tratar do assunto podolatria. Deixamos na presente pesquisa de contar os acessos brasileiros a listas em outras línguas, em número também significativo em relação aos demais fetichistas relacionados.

Observamos porém não estar em igual situação a quantidade de páginas e sites dedicados ao assunto podolatria. Enquanto que em primeira instância - busca utilizando apenas o termo chave - foram detectadas cerca de seiscentas páginas fetichistas ligadas a BDSM, conseguimos efetuar um levantamento de 130 páginas sobre podolatria, muitas das quais indisponíveis, ou apenas internas de outros sites BDSM.

Os números não acompanham o crescente universo de podólatras... o que justifica isso ?

Levantamos várias hipóteses, a principal das quais descrevemos a seguir :

O podólatra é em geral alguém que tem profundo "pejo" de seu fetiche; é alguém que apesar de saber de seus fortes desejos internos, os considera "errados", "infantis", e os oculta até de si mesmo. O libertar-se desse "medo" é demorado, em geral doloroso e assustador ( como, aliás, mudar qualquer paradigma social ). Na cabeça do podólatra, encontrar uma parceira que compreenda, e goste do mesmo que ele é algo próximo de uma missão impossível. Portanto, sua "tara" deve ficar sempre oculta... não se manifestar jamais. Isso implica em não procurar seus pares, em não se expor, não dizer suas preferências e desejos, e deixar de usufruir seu prazer, enfim.

Junte-se a isso o pavor de ser confundido com outros fetichistas : uma vez que o ato da podolatria em geral é confundido - e inúmeras vezes mesclado - com a submissão dos adeptos de BDSM ( e a grande maioria observada dos podólatras não é adepta de tais práticas ), torna-se "difícil" aceitar-se como podólatra, pois esse termo traz aos "leigos" toda uma carga próxima das práticas sadomasoquistas. É digno de nota a referência em diversas situações de podólatras confessos dizerem : "mas não sou submisso, não. Só gosto de pezinhos".

Contrariamente ao costumeiramente dito nas listas de discussão - de que a adoração aos pés femininos estar ligada a atos de submissão - verificamos existir vários indivíduos Dominadores no meio BDSM com preferência confessa por pés femininos.

Notamos ainda dificuldades várias para os iniciantes aproximarem-se - e conseqüentemente adentrarem sem maiores percalços - do universo fetichista podólatra. Os termos usados pelos frequentadores de listas e chats é em geral em inglês, dificultando ainda mais o acesso àquele indivíduo não familiarizado a tais termos. Até pela situação detectada e exposta acima, os podólatras quase não trocam informações entre si. Ao "iniciante" - e mesmo ao não tão iniciante assim - é dificultado até o acesso a seus próprios pares (aqueles que detém a informação), e deixam de repartí-la. Mais uma vez, e também nesse ambiente que deveria ser exclusivamente dedicado ao prazer, detectamos que "Informação é poder".

Se a quantidade - e a qualidade - dos sites de imagens - particularmente fotografias - de pés femininos é grande, o mesmo não ocorre com artigos sobre o fetiche, bem como com pés masculinos. Não encontramos sites que consolidem adequadamente várias informações sobre as práticas que envolvem o fetiche podólatra.

Temos, porém, uma boa quantidade de relatos sobre o que representa individualmente o fetiche, e dentre esses relatos é grande a colocação de que o fetiche proveio da infância, ou pré-adolescência.

Mas, mesmo com as ponderações acima, ainda não conseguimos identificar totalmente o que "cala" virtualmente os podólatras. Não no ambiente virtual, pois ao pesquisar-se o efeito, descobre-se a causa. A resposta estava fora.

Ao buscarmos literatura que trate do fetiche "podolatria", defrontamo-nos com material mais escasso do que os estudos voltados às parafilias em geral. De texto base, dentre autores "consagrados" e tidos como válidos para uma pesquisa científica, localizamos em alemão um livro de FREUD, e pequenas inserções em outros livros (ver bibliografia), e então somente literatura de relatos, em geral em primeira pessoa.

A partir dessa busca do embasamento teórico baseado em pesquisa bibliográfica, começamos a verificar tratar-se de um "anel de moebius" : não existe literatura apropriada porque ninguém escreve - pois pressupõe-se que alguém escreva sobre o que conhece, e o assumir-se fetichista "em geral" não é bem quisto no meio científico - , e ninguém escreve porque não existe literatura apropriada para embasamento teórico... A solução encontrada foi a de escrever relatos de experiência - em geral própria - , esses sim inquestionáveis.

Um aspecto sintomático desta falta de tratamento do assunto é o fato de passado quase um século continuar a não haver entre os poucos autores que abordaram a temática, sequer concordância na disputa entre a origem, genética ou adquirida, do comportamento fetichista. Por outro lado será de referir que a pesquisa em sexualidade não é obra fácil, a pesquisa em ambiente controlado como o laboratório nunca trará resultados realistas e a genética ainda é uma ciência nascente.

Em todo o caso, tudo parece indicar que a podolatria e outros fetichismos ligados aos membros inferiores vai entrando aos poucos, como acima se refere, no mundo social e nas correntes mais usuais da sexualidade (designada por 'baunilha' no mundo BDSM). A menos que se de algum profundo retrocesso sócio-cultural, porventura devido a repressão de origem política, cremos que os podólatras acabarão por se libertarem aos poucos das suas correntes, do mesmo modo que a comunidade gay e mais recentemente a comunidade BDSM. De facto, é importante referir que o BDSM, ate há bem pouco tempo (inicio dos anos 90) era considerado ainda pela Sociedade de Psicologia Americana no seu DSM III ("Diagnostic Statistic Manual", o manual de referencia primário no campo) como uma "desordem psicológica". A classificação tinha ares de profunda hipocrisia, porquanto as fantasias BDSM eram sancionadas como "aceitáveis", ao passo que a sua realização daria ao pobre amante direito a manicômio. Felizmente, os grupos de pressão BDSM, bem como as atividades de terapeutas bem mais abertos e inteligentes, levaram a que no DSM IV a comunidade BDSM seja já aceita de outro modo, exceto nos casos em que as fantasias colidem e perturbam a vida quotidiana. Mas acreditamos que a tendência da comunidade psicológica será no sentido da aceitação destas variantes sexuais.

O aparecimento da internet, bem como de periódicos dedicados a podolatria (e.g. a revista americana Leg Show), tem feito muito pela divulgação, auto-aceitação e liberação de inúmeros podólatras. Mas cremos que ainda é apenas uma fração da sociedade que tem acesso a tais meios. Quantos casos escondidos, quantas oportunidades perdidas, quanta vida desnecessariamente limitada. A editora da revista Leg Show, Diane Hanson, grande divulgadora da podolatria, refere (vd. Brame, Brame & Jacobs) mesmo receber quase semanalmente cartas de agradecimentos de leitores que contemplavam o suicidio e que passaram anos em terapia apenas por desejarem beijar um pé feminino e não ousarem confessa-lo, sequer aos próprios cônjuges. Tal eh a intensidade das forcas do conformismo sexual. Isso leva ao isolamento do individuo e a um ciclo que resulta muitas vezes na depressão. E ai esta também a justificação por detrás da fraca auto-estima que muitos podólatras e fetichistas têm sentido até bem recentemente. O puritanismo subjacente à cultura originária do ocidente, em especial dos EUA, que invade o mundo através da chamada globalização, não parece de molde a facilitar a liberação. E aqui reside uma tensão da qual conviria todo o podólatra ou fetichista estar consciente. Pois as mesmas forcas da globalização parecem ser muitas das vezes também as forças hipócritas do conformismo e da repressão puritanas. A sensação de renascimento e de liberação quando um podólatra confessa a sua preferencia e é aceito por quem o rodeia ou descobre a presença de outros com preferências similares é única. Seria ótimo que mais podólatras pudessem renascer deste modo.

Quando aprenderemos a aceitar o fetiche como uma dadiva, que permite ao fetichista aceder a formas de prazer que sao negados ao nao-fetichista? O ambiente é rico, os desejos são claros, o caminho está aberto... quem ousará dar o primeiro passo - científico - em direção aos pés?

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

REICH E FREUD: COMPATIBILIDADES E INCOMPATIBILIDADES




1. INTRODUÇÃO

Quando tive contato pela primeira vez contato com o pensamento reichiano e a psicoterapia corporal, em 1993, através de Dulcimar Vieira da Silva Menezes, psicóloga Reichiana que durante muito tempo chamei carinhosamente de "mestra" . Críticas à Psicanálise durante muitos anos era o que acontecia, mas Drª Dulcimar mostrou que as críticas por mais que sejam destrutivas, mas ao fundo era algo que nos fazia alimentar ao interesse psicanalítico. O tempo mostrou que muitas destas críticas à psicanálise eram infundadas, e que a psicoterapia de inspiração reichiana era boa, mas também apresentava limitações e insuficiências. Ocorreu então o que talvez tenha sido uma inversão do processo: da crítica pouco embasada passou-se a uma assimilação pouco crítica da psicanálise, que inclusive desconsidera questionamentos importantes feitos a ela por Reich (ver adiante). Hoje em dia é comum que escolas reichianas (como por exemplo a Psicologia Biodinâmica, a Análise Bioenergética, a Vegetoterapia Caractero-analítica e outras) estudem psicanálise em suas formações, porém a meu ver ainda falta muito para que se chegue a uma síntese teórica e técnica adequada entre os dois campos. No limite, parece que se formos levar a teoria e a técnica psicanalíticas a sério, a coerência nos obrigaria a descartar o pensamento reichiano, como os psicanalistas já o fazem.
Este artigo se propõe a fazer um levantamento dos pontos de convergência e de divergência entre as duas concepções, para que assim possamos discutir melhor o quanto seria possível uma síntese.

2. REICH E A PSICANÁLISE

Wilhelm Reich foi inicialmente um psicanalista que pesquisou e inovou a teoria e a técnica psicanalíticas (Reich 1975, 1995a), notadamente quanto à importância dada aos aspectos somáticos em seu trabalho, e que depois rompeu com a fundamentação psicanalítica e seguiu um caminho próprio.

Ao longo da década de 1930, ele se distancia progressivamente do pensamento freudiano, e sua fundamentação teórica é estruturada cada vez mais no âmbito da biologia, sendo especialmente importante a apropriação do conceito de auto-regulação, elemento-chave de suas novas idéias (Bellini 1993; Albertini 1994, p. 67-71; Dadoun 1991, p. 34-42). Ganha importância também sua própria teoria sobre o papel da bioenergia, o campo de estudos por ele denominado de Orgonomia (Reich 1994, 1984). Segundo Ola Raknes (1988, p. 41-42), “a partir da descoberta da energia orgone cósmica (1939-1940), o principal interesse de Reich concentrou-se nesse novo campo de pesquisa”.

No Congresso de Psicanálise de 1934 (ano em que se dá a sua exclusão da Associação Psicanalítica Internacional), Reich apresentou pela primeira vez suas idéias inovadoras sobre a couraça muscular. O capítulo XIII do “Análise do Caráter” é uma elaboração formal da palestra realizada nesse Congresso. É aí apresentada a tese de que “todo aumento de tônus muscular e enrijecimento é uma indicação de que uma excitação vegetativa, angústia ou sensação sexual foi bloqueada e ligada”, havendo “uma identidade funcional entre couraça do caráter e hipertonia ou rigidez muscular” (Reich 1995, p. 315). Vemos aqui expostas as bases de uma clínica que também ficará cada vez mais distanciada da ortodoxia psicanalítica.

Em dezembro de 1934, Reich faz um balanço da relação entre suas concepções (às quais denominava na época de “psicanálise materialista dialética”) e as de Freud: “me considero o mais sólido representante da psicanálise científica natural e do seu desenvolvimento lógico” (Reich 1979, p. 181).

Em artigo de 1938 (Reich 1979, p. 235-8) já se percebe uma postura bastante diferente daquela de 1934, com Reich vendo-se como estando além da psicanálise. Ele afirma o valor dos processos biológicos e a superioridade das suas formulações em relação às idéias de Freud. Porém ainda reconhece um certo valor na psicanálise no terreno dos processos psíquicos.

Em 1942, quando ele escreve seu livro “A Função do Orgasmo”, dá-se um novo balanço da relação entre suas idéias e as de Freud: “O objetivo do meu trabalho é o mesmo hoje e há vinte anos atrás: o despertar das experiências da primeira infância. Entretanto, o método para consegui-lo mudou consideravelmente; tanto, na verdade, que nem se pode mais chamar de psicanálise” (Reich 1984, p. 58-9).

Em anotação de 1946 (Reich 1999, p. 345), afirma que “Freud confundiu a doença mental que encontrou no vivo com a essência intacta que está por trás dela – isto é, com a vida real. Esse foi seu grande erro. A biologia de Freud é completamente sem esperança”.

No relato clínico que consta como o capítulo XV (A Cisão Esquizofrênica) da terceira edição do "Análise do Caráter", que foi escrito no inverno de 1948-49 (Ilse Reich, 1978, p. 124), percebe-se que o referencial clínico da psicanálise praticamente não está mais presente, exceto quanto a alguma elaboração das vivências transferenciais. A questão das chamadas correntes orgonóticas assume papel central, o uso de técnicas corporais e do acumulador de orgone constituem-se como elementos decisivos do tratamento. Conclui-se que “... a esquizofrenia é uma doença de fato biofísica, e não ‘apenas’ mental (...) as emoções são funções bioenergéticas, e não mentais, químicas ou mecânicas’ (Reich, 1995, p. 406).

Percebemos que Reich vai se deslocando progressivamente para fora do âmbito da psicanálise, tendência que se mostra ainda mais radicalizada em 1952, quando ele é entrevistado por um representante dos Arquivos Sigmund Freud (Reich 1979). Podemos observar aí a consolidação desse processo de mudança, onde percebe-se uma declaração de ruptura e de distanciamento, de ver a relação com Freud e a psicanálise quase como um acidente histórico em sua evolução intelectual:

“Eu já nem sequer me considero um discípulo de Freud. Não tenho nada a ver com ele há muito tempo” (p. 117-8). “Como lhe disse, não estou absolutamente nada interessado em psicanálise” (p. 119).

A psicanálise “para mim é um período completamente morto (...) Os psicanalistas pensam ainda que eu sou um psicanalista. Não! Não!” (p. 97).

“Portanto não se trata de psicanálise. Não tem nada a ver com psicanálise.” (118). “Não sou psicanalista. Não estou interessado em psicanálise. Não tenho qualquer má vontade contra ela – de modo nenhum. Está tudo morto e enterrado” (p. 115).

“Eu coloquei numa base científica natural o que estava correto na psicanálise, mas o meu trabalho metodológico, científico, não tinha em si mesmo nada a ver com a psicanálise, no sentido de fazer parte dela ou de se ter desenvolvido a partir dela. O que eu fiz foi por o meu ovo de águia no ninho de ovos de galinha. Depois tirei-o e dei-lhe o ninho apropriado” (idem, p. 50).

Será que a psicanálise foi apenas um casulo dentro do qual Reich se nutriu e desenvolveu, e com o qual rompeu irreversivelmente para libertar sua bela e grandiosa teoria? Se formos ouvir a opinião dele, parece que sim. Veremos que não é à toa que tais afirmações são feitas: um diálogo entre as concepções de Reich e Freud exigirá realmente um esforço considerável.

3. CONCORDÂNCIAS E DIVERGÊNCIAS

3.1 QUE PARTE DA PSICANÁLISE É COMPATÍVEL COM A TEORIA E A TÉCNICA REICHIANAS?

Podemos começar pela opinião do próprio Reich, que, como já vimos, varia bastante ao longo do tempo. Observemos o período inicial (anos 20 e 30), quando ele ainda considerava-se psicanalista, ou pelo menos alguém com fortes laços com a psicanálise.

Reich desde cedo mostrou-se um defensor de certas idéias de Freud, e manteve-se fiel a elas (ou, pelo menos, acreditava manter-se). Por outro lado, desde cedo também criticou determinados aspectos das formulações de Freud, especialmente muitas das idéias contidas em “Além do Princípio do Prazer”, “O Ego e o Id” e “Inibições, Sintomas e Ansiedade”. Um exemplo é a crítica à teoria da pulsão de morte, em artigo sobre o caráter masoquista publicado sob grande polêmica no Internationalen Zeitschrift für Psychoanalyse em 1932, e depois incluído no “Análise do Caráter” como o capítulo XI.

Isso traz uma implicação importante: pode ser que haja em Reich uma continuidade com a obra de Freud. Mas talvez isso se dê com uma parte da obra de Freud que este próprio, e praticamente toda a psicanálise posterior, considera como uma teoria inicial, em grande parte depois ultrapassada e superada por uma formulação mais exata, mais abrangente e mais adequada . Falamos aqui da segunda tópica, da teoria da pulsão de morte, das últimas concepções sobre a ansiedade e a cultura.

Alguns comentadores reichianos parecem compartilhar deste ponto de vista, afirmando que Reich prosseguiu num caminho que Freud iniciara e do qual desviou-se depois. Segundo Boadella (1985, p. 19), o ponto de vista da teoria da libido “foi relegado a um abandono progressivo tanto por Freud quanto por seus colegas. A Reich coube a tarefa de se dedicar a essa teoria inicial, de confirmá-la e de desenvolvê-la”. Este autor comenta que, “na psicanálise, um abismo profundo começava a se abrir entre a teoria geral do instinto, centrada no conceito de energia psíquica, e as novas teorias da psicologia do ego, centrada no conceito de estrutura psíquica” (idem, p. 25).

No mesmo sentido, Chester Raphael assinala que Reich chegou à psicanálise entusiasmado com a idéia freudiana de uma energia sexual, mas que a essa altura era já “claro que sua [de Freud] teoria da neurose tornara-se uma teoria psicológica, e que a libido, privada de sua definição sexual original, tornara-se nada mais do que uma metáfora inócua agora à beira da extinção” (Raphael 1975, p. viii).

Conforme Paulo Albertini (1994, p. 55), “observando de forma geral a atuação de Reich no movimento psicanalítico, é possível dizer que ele tentou criar uma outra ‘psicanálise’ dentro da própria psicanálise. Para ele, as suas formulações teóricas, e não as de Freud dos anos 20, é que representavam o desenvolvimento necessário das primeiras elaborações freudianas”; dado que “na visão reichiana, a psicanálise dos anos 20 afastou-se do conceito de libido e passou a tomar rumos equivocados” (idem, p. 38).

Cláudio Wagner (1996, p. 56-57) propõe a tese da existência de um “jovem Freud”, do qual Reich teria feito um resgate e uma reatualização. “Jovem Freud” seria aquele que, de 1898 a 1938, continuou sustentando a importância da sexualidade, do inconsciente, do papel do ambiente externo nas neuroses. Segundo este autor, “a psicanálise que sobreviveu foi a psicanálise que, ou bem privilegiou o velho Freud, da pulsão de morte (escola inglesa, M. Klein), ou bem se esqueceu do jovem Freud das pulsões sexuais (escola americana, psicologia do ego)” (idem, p. 60).

Ou seja, mesmo onde Reich é compatível com as idéias de Freud, há uma ruptura no sentido de que a psicanálise de Reich não é a mesma dos psicanalistas atuais.

Uma retomada das raízes freudianas na psicoterapia reichiana necessariamente terá de passar por alguns questionamentos:

a) Continua válida a crítica de Reich aos textos de Freud mencionados?

b) Se não, o que deve ser corrigido e/ou acrescentado em Reich?

c) Se sim, quais partes da teoria psicanalítica seriam assimiláveis pela psicoterapia corporal? Quais não o seriam?

Esta é uma discussão em aberto. Pessoalmente, acredito que existem muitos elementos valiosos na produção freudiana dos anos 20 e 30, e nos autores que desenvolveram posteriormente estes pontos de vista. Por exemplo, Melanie Klein (1997, 1996, 1991) e Donald Winnicott (1990, 1978, 1975) trouxeram contribuições originais à teoria e à técnica, e o diálogo com a produção destes e de outros autores pode contribuir grandemente para a ampliação dos horizontes da psicoterapia reichiana, como podemos ver por exemplo em Cornell (1998).

3.2 COMO REICH LIDOU COM A HERANÇA FREUDIANA?

Desde o início Reich revelou-se um pensador original. A primeira teoria de Reich (o papel do orgasmo, formulada por volta de 1923 – ver Reich 1975d) foi um prolongamento da teoria da libido de Freud e, ao mesmo tempo, a primeira separação em relação ao mestre (Bellini 1993, p. 58). Reich relata sua desilusão em 1926 com o fato de Freud rejeitar suas idéias sobre a relação entre angústia e o sistema nervoso autônomo (Reich 1984, p. 147-148). A técnica de análise do caráter propunha um papel mais ativo e intervencionista do analista, que era muito diferente do habitual. O questionamento da separação entre neurose atual e psiconeurose pode ser visto já como um primeiro movimento de Reich para integrar corpo e mente numa unidade conceitual (Reich 1995, p. 26-27). Portanto, percebe-se que há elementos de ruptura desde o princípio, e que nunca houve um Reich totalmente alinhado com as concepções psicanalíticas dominantes e que assimilasse docilmente as formulações de Freud.

Parece haver um padrão: as teorias e técnicas de Reich começam formuladas coerentemente dentro da psicanálise. Porém, aos poucos vão se desenvolvendo, ampliando, tomando forma própria, até tornarem-se algo decididamente fora do âmbito do que é reconhecido socialmente como psicanálise. Isso ocorre com as intervenções corporais (primeiro a criação da análise do caráter, depois esta levando à concepção de uma couraça muscular do caráter, e isto tendo como conseqüência a invenção de métodos para uma abordagem somática do tratamento), com o conceito de bioenergia orgone (descendente da teoria da libido de Freud), com as formulações sobre o orgasmo (oriundas da teoria freudiana da sexualidade).

Segundo este padrão, Reich não seria exatamente um continuador da psicanálise, e sim alguém que usou–a como um dos ingredientes na formulação de algo mais complexo, como uma maçã utilizada para fazer tortas de maçã, ou a tinta utilizada para pintar um quadro.

Há entretanto uma certa continuidade que vai permitir a Reich dizer-se continuador de Freud mesmo em 1952, quando suas formulações são já bastante diferentes daquelas do antigo mestre: “Sabe quem tem mantido a teoria da libido viva e em funcionamento, atualmente? E quem a desenvolveu? Considero-me o único que fez isso. Mais ninguém” (Reich 1979, p. 115). Este é um aspecto curioso da relação de Reich com Freud: parece às vezes que Reich julga-se mais freudiano do que o próprio Freud, apesar de ser visto pelos demais continuadores da obra freudiana como alguém que não tem mais nada a ver com a psicanálise em suas idéias e práticas.



3.3 REICH: UM PSICANALISTA QUE DIVERGE DE FREUD

Segundo Bleichmar e Bleichmar (1992, p. 17), “a teoria psicanalítica cresceu, a partir de Freud, por aposição de uma grande quantidade de escolas, correntes de pensamento, grupos, autores, cada um com seu enfoque particular sobre quase todos os problemas. Poderíamos dizer que, neste momento, não há uma psicanálise, mas muitas”. Seguindo esta linha de pensamento, algumas das diferenças entre as formulações de Reich e Freud podem ser entendidas como divergências entre escolas psicanalíticas. Ou seja, há uma parte da teoria reichiana que, apesar de divergir de Freud, poderia ser vista como ainda ligada ao referencial psicanalítico, como ainda podendo posicionar-se enquanto interlocutora dentro deste campo do conhecimento.

3.3.1 A PULSÃO DE MORTE

O conflito teórico mais conhecido, e que é comumente tido como o fator que levou à ruptura entre ambos, está relacionado com a polêmica sobre a idéia da pulsão de morte. Entretanto, diversos elementos nos levam a pensar que a exclusão de Reich do movimento psicanalítico deu-se muito mais por motivos políticos do que por divergências teóricas (Wagner 1996). Basta lembrar que Donald Winnicott, que também repelia a idéia de pulsão de morte, nunca se afastou do movimento psicanalítico, chegando inclusive a presidir a Associação Psicanalítica Internacional. E ele deixava claro seu ponto de vista: “Nunca fui capaz de seguir quem quer que fosse, nem mesmo Freud ... Por exemplo, simplesmente não acho válida sua idéia de instinto de morte” (Winnicott, 1990, p. 161).

Ernest Jones, respeitado biógrafo de Freud, diz que “algumas das formulações mais abstratas de Melanie Klein serão sem dúvida modificadas na estrutura teórica futura da psicanálise. O que me parece um exemplo provável disso é a aplicação direta que faz às descobertas clínicas do conceito filosófico de Freud de uma ‘pulsão de morte’, sobre o qual tenho sérias dúvidas. Cito-o não por esta razão, mas porque acho um pouco estranho que eu devesse criticá-la por uma adesão demasiadamente fiel aos pontos de vida de Freud” (Jones, 1991, p. 368. Em outro texto, Jones (1989, p. 278) reafirma sua opinião, dizendo que “nenhuma observação biológica apóia a idéia de uma pulsão de morte, que contradiz todos os princípios biológicos”.

Otto Fenichel, em sua exposição da teoria psicanalítica, dedica duas páginas a uma “Crítica do Conceito de um Instinto de Morte” (Fenichel, 1981, p. 53-55), onde enumera argumentos contra tal idéia. Apesar de reconhecer a existência de conflitos entre os interesses do ego e os impulsos sexuais, e entre a agressividade e as tendências sexuais, afirma que “não é necessário presumir que nenhum desses dois pares de opostos representem dicotomia genuína e incondicionada que haja operado desde o início. Para melhor classificar os instintos, teremos de esperar que a fisiologia desenvolva teses mais valiosas a respeito das fontes instintivas” (idem, p. 55).

Ora, se psicanalistas prestigiados como Fenichel, Jones e Winnicott discordaram abertamente da teoria da pulsão de morte sem deixarem de ser aceitos pela comunidade psicanalítica, pode-se supor que, se fosse apenas por este aspecto de suas idéias, talvez pudéssemos reivindicar para Reich um lugar como o de Ferenczi no panteão psicanalítico, algo como um psicanalista “diferente”. Isso não minimiza a questão teórica, pois Freud manteve até o fim sua crença na idéia de uma pulsão de morte como algo essencial para a compreensão da mente humana. Uma integração entre as concepções de Freud e Reich nunca estará completa sem um esclarecimento desta divergência.

2.3.2 A TEORIA DO ORGASMO

Quanto à teoria do orgasmo de Reich, mesmo sendo ela originada e referenciada na psicanálise, nunca foi aceita por Freud e seus seguidores. Segundo Albertini (1994, p. 40), “parece não haver dúvidas de que, em termos de construção teórica, Freud de maneira alguma chegou a aceitar a teoria reichiana do orgasmo”. No mesmo sentido, Briganti (1987, p. 115) comenta que “os psicanalistas não viriam a aceitar o vínculo feito por Reich entre as neuroses e a perturbação da genitalidade”. O próprio Reich reconhece este fato quando diz que “desde o começo a inclusão da função do orgasmo na teoria [psicanalítica] da neurose foi considerada um incômodo e tratada como tal.” (Reich, 1935/1995, p. 274). Permanece o debate quanto à validade desta concepção reichiana, mas este é um elemento que, se provado correto, seria também assimilável dentro da estrutura teórica da psicanálise. Note-se que muitos neo-reichianos não são defensores tão ferrenhos desta idéia quanto Reich (Boyesen 1986; Lowen 1982). Navarro (1996, p. 11), por exemplo, critica explicitamente a Bioenergética de Lowen por este motivo, dizendo que esta abordagem “não destaca a importância da função do orgasmo”.

2.3.3 O CARÁTER E A IMPORTÂNCIA DA FORMA

Algo semelhante ocorre com a teoria reichiana do caráter. Partindo das formulações de Freud, Jones e Abraham sobre o origem dos traços de caráter, Reich (1995, p. 150-155) expõe sua teoria de que o conjunto dos traços de caráter de uma pessoa constituiria uma formação integral com função de defesa psíquica, uma verdadeira couraça ou blindagem do ego. Segundo Wagner (2000, p. 46), Reich vê o caráter como uma estrutura complexa e unificada que é “... resultante e expressão de todo o desenvolvimento psicossexual (...) o caráter é visto como a forma típica e estruturada de ser do ego [e com isso] Reich patologiza o ego freudiano.” Com raras exceções , este conceito não foi incorporado pela psicanálise. Isso pode ter ocorrido pelas implicações políticas e sociais da teoria do caráter (idem, p. 50-51); pela proposta clínica dela decorrente (a análise do caráter), que questionava a ortodoxia ao propor a valorização da forma de agir como material analítico; ou ainda por uma simples discordância quanto à validade desta teoria.

Um aspecto específico dessa abordagem clínica ainda hoje é ponto de debate na psicanálise. Conforme Martinez (1993), vemos nos relatos clínicos de Freud e outros autores a valorização de aspectos observados do comportamento dos analisandos. Por outro lado, mantém-se a posição analítica atrás do divã como fundamental, dado que “... a disposição que exclui o olhar tem assim uma função técnica precisa, a de criar condições favoráveis para que se instale a situação analítica propriamente dita” (Mezan, cf. cit. em Martinez, 1993, p. 18). Deste modo, a visibilidade do analisando ora ajuda (para a obtenção de material analítico), ora atrapalha (por contrariar o exercício da atenção flutuante). Martinez mostra então como é variável a valorização clínica do universo visual, com Freud dando pouca ênfase a este tipo de material, Ferenczi dando grande valor ao mesmo, e Reich fazendo disto o centro de sua abordagem.

2.3.4 OUTRAS DIVERGÊNCIAS PSICANALÍTICAS

Um outro tema é a teoria reichiana das pulsões. Enquanto Freud fundamenta sua visão do aparelho psíquico a partir de uma dualidade, de um antagonismo pulsional, Reich concebe a existência apenas de pulsões do id, que seriam manifestações de necessidades biológicas, a favor da vida, portanto. Sob a pressão do mundo externo e do superego, o ego teria a capacidade de colocar uma pulsão contra outra, num entrelaçamento complexo que seria a base da dinâmica psíquica.

Outras questões sobre as quais Reich tem um ponto de vista diverso daquele de Freud são a teoria da angústia (Reich 1984, p. 120-124) e a visão sobre a cultura e a civilização (idem, p. 166-213).

3.4 PARA ALÉM DOS PRINCÍPIOS DA PSICANÁLISE

É no desenvolvimento das idéias de Reich a partir de meados da década de 1930 que iremos encontrar as diferenças realmente significativas. Ele afastou-se bastante do referencial psicanalítico, trilhando caminhos que o levaram para algo muito diverso. Aqui sim podemos entender suas afirmações de 1952 (ver item 2), considerando-se como alguém que não tinha mais nada a ver com a psicanálise.

3.4.1 A ORGONOMIA

Albertini (1994, p. 38) afirma que “a principal ligação do pensamento reichiano com a psicanálise freudiana deve ser buscada no âmbito do ponto de vista econômico” , e “tanto a preocupação quantitativa quanto a busca da base orgânica da libido caminham na direção de uma concepção de energia sexual como algo real e não apenas como um constructo teórico”.

Desde o início Reich valorizou fortemente a idéia de uma energia vital, como se pode ver em seus primeiros escritos, que incluíam um estudo de 1922 sobre “O Conceito de Pulsão e Libido de Forel a Jung” (Reich 1975b), e outro de 1923 “Sobre a Energia das Pulsões” (Reich 1975c). Conforme Albertini (1994, p. 38), “desde o início existe no pensamento reichiano a hipótese de um princípio energético”.

Segundo Reich, em 1952, para Freud, “uma das suas maiores descobertas era que uma idéia não é ativa em si mesma, mas porque tem uma certa catexis de energia, isto é, tem uma certa quantidade de energia que lhe está associada. Nisto, ele tinha unido o quantitativo e o qualitativo. Fez o mesmo quando afirmou que a neurose tinha um núcleo somático. Mas o quantitativo, o ângulo da energia, era apenas um conceito. Não era realidade. Agora, enquanto a organização psicanalítica desenvolveu o ângulo qualitativo, isto é, as idéias, a sua interligação etc., eu retomei o ângulo da energia” (Reich 1979, p. 115-116).

A Orgonomia é apresentada por Reich como uma radicalização da teoria da libido de Freud, mas existe aí uma ruptura importante, pois levou a uma concepção vitalista (ver Rego 1990), antagônica ao que é aceito pela ciência atual, e que é algo bem diferente das concepções psicanalíticas.

Ao falar sobre a prevenção de neuroses, Reich nos dá um exemplo do quanto suas concepções relacionadas ao corpo e à bioenergia se distanciam dos conceitos psicanalíticos: “na prática, Eros ... significa se o útero da mãe está vivo ou inerte, se a mãe atinge ou não o orgasmo durante o coito, ... se o bico do peito da mãe está carregado orgonoticamente, isto é, se a bioenergia está a funcionar nessa zona, a fim de que ao procurar satisfazer seu desejo oral, a criança se agarre a algo que seja gratificante e não um choque” (Reich 1979, p. 67).

A Orgonomia, que em seu início poderia ser descrita como uma hipertrofia do aspecto econômico da metapsicologia freudiana, ganha contornos muito diferentes em anos posteriores, chegando a definições, formulações e propostas de intervenção estranhas à psicanálise, como se pode ver em obras como “Éter, Deus e o Diabo” e “Superposição Cósmica” (Reich 1973), e no capítulo XV do "Análise do Caráter" (Reich, 1995).

Assoun, em seu estudo dobre a epistemologia das idéias freudianas, aponta que o fundamento energético e quantitativo está presente desde o início dos trabalhos de Breuer e Freud, mantendo-se ao longo de todo o desenvolvimento da psicanálise em conceitos como investimento, descarga, ab-reação, quantum de afeto, libido (Assoun 1983, p. 198-200). Apesar disso, conforme este autor, Freud manteve-se dentro dos limites da corrente designada como mecanicismo energetizado ou energetismo mitigado, juntamente com Helmholtz, Fechner e outros. Tal corrente seria bastante distinta do energetismo radical de Mayer, Ostwald e Reich: “Freud jamais é levado pela tentação, inerente ao energetismo doutrinal, de exaltar a energia como princípio ativo supramecânico e de hipostaziá-la como suporte de uma visão do mundo. A energia ostwaldiana servia para fundar uma ontologia imaterial; a energia freudiana serve para designar uma característica processual” (idem, p. 207). Ou seja, haveria um corte epistemológico na passagem entre as concepções energéticas de Freud e as de Reich, uma diferença irredutível entre as formulações de ambos nesse campo.

3.4.2 O TRABALHO SOBRE O CORPO

A grande ruptura técnica vai se dar com a introdução da abordagem corporal por Reich. A psicologia freudiana é intensamente referenciada no corpo, porém a intervenção técnica passa primordialmente pela palavra. Quando Reich introduz o olhar, o toque, os exercícios, a respiração e a propriocepção, ele resgata aquilo que poderíamos chamar de uma “vocação corporal” da psicanálise, porém rompe com um ponto essencial da clínica analítica. Talvez se possa dizer que é uma clínica psicanaliticamente orientada, mas certamente já não é mais uma clínica psicanalítica.

Existem autores com opiniões diversas, como Wagner, que considera “o trabalho de abordagem corporal iniciado por Reich como um dos desdobramentos possíveis da clínica psicanalítica de Freud” (Wagner 1996, p. 71). Mas me parece mais de acordo com a realidade a existência de uma ruptura irrecuperável, pois se o psicanalista passar a olhar e tocar, não será mais um psicanalista (tal como eles se reconhecem e nós os reconhecemos); se o reichiano deixar de olhar e tocar, não será mais reichiano. Deste modo, a relação com o corpo na clínica parece não admitir que se possa chamar de psicanálise a prática do psicoterapeuta corporal. Refiro-me aqui principalmente à psicanálise enquanto instituição, enquanto movimento organizado e reconhecido socialmente. Enquanto teoria sobre o psiquismo ou um campo do saber, é possível afirmar-se que somos psicanalistas se examinarmos nossas crenças a partir daquilo que o próprio Freud definiu como psicanálise (ver discussão em Wagner, 1996, p. 88-98).

3.4.3 A AUTO-REGULAÇÃO

Há uma outra ruptura importante no campo teórico quando Reich integra às suas formulações o conceito de auto-regulação. Conforme Bellini (1993, p. 47-55), desde o início de sua carreira, Reich teve um forte interesse pela biologia e pela sexualidade, tendo inclusive sido isto que o levou a entrar em contato com Freud. Manteve sempre o interesse pela biologia, e encontram-se elementos iniciais dessa concepção em seus escritos a partir de 1927 (Albertini 1994, p. 67). Mas foi após a ruptura com a psicanálise, em 1934, que Reich retomou de maneira mais intensa a fundamentação biológica, tendo isso levado-o cada vez mais à utilização do conceito de auto-regulação como elemento central de suas concepções.

Conforme Bellini (1993, p. 54), “auto-regulação é a ‘sabedoria do corpo’, reações e ritmos coordenados que permitem o equilíbrio dinâmico do corpo. Em Reich, auto-regulação não será um conceito formalizado, será um axioma, um princípio que se tornará central em seu pensamento”.

Albertini (1994, p. 68-9) partilha da mesma opinião, dizendo que “pode-se observar um princípio subjacente, fundamental, básico, primário, que organiza e dá sustentação teórica ao pensamento reichiano. Esse princípio é o da auto-regulação, uma espécie de competência espontânea, visceral, da própria vida. Tal concepção vai substituir as teses psicanalíticas que também faziam parte do conjunto das idéias de Reich até este momento [anos 30]. Nesse sentido, o conceito de auto-regulação passa a ser hegemônico no arcabouço teórico reichiano”.

No mesmo sentido, Dadoun (1991, p. 35) comenta que “o princípio de auto-regulação, proposto com uma constância excepcional por Reich – e que ocupa um lugar central no pensamento dele – dispõe de uma base biológica sólida e praticamente irrefutável”. Assim, “tudo acontece como se o afrouxamento da couraça caracterial liberasse uma espécie de competência espontânea, uma aptidão para autodeterminar-se, aniquilada, atrofiada ou neutralizada pela influência das instituições sociais e dos modelos culturais. Reich vem a formular nestes termos o objetivo terapêutico: retirar a energia das inibições morais e substituí-las pela auto-regulação libidinal” (idem).

Essa guinada de Reich é algo genial, pois alarga os horizontes do trabalho psicoterápico, abrindo as portas para o terreno da biologia e da fisiologia. O conceito de auto-regulação nos aproxima do orgânico, facilitando-nos dialogar, compreender e assimilar os enormes avanços conquistados nesse campo, como as neurociências, a biologia molecular, a genética e a psicologia evolutiva. É impossível deixar de admirar a capacidade de Reich de, já nos anos 30, elaborar formulações que permanecem válidas e atuais, e que nos deixam mais capacitados a estar em sintonia com o que se produz de mais avançado em termos de pesquisas sobre a mente e a consciência a partir do referencial biológico.

Porém, ao mesmo tempo que abriu algumas portas, Reich fechou com isso outras em relação à psicanálise, para a qual o conceito de auto-regulação é um corpo estranho. Constitui-se aqui, portanto, mais um elemento de ruptura com o referencial freudiano.

4. CONCLUSÕES

Uma primeira conclusão é que a síntese entre psicoterapia reichiana e psicanálise é um projeto difícil, exigindo um estudo e um debate aprofundados. Questões complexas, como a discussão da teoria do orgasmo de Reich, da teoria da pulsão de morte de Freud e das formulações de ambos sobre a angústia, deverão ser examinadas a fundo caso se queira uma integração entre estas abordagens. Porém ainda mais difícil e complexa será a discussão para integrar concepções tão estranhas entre si quanto a psicanálise, de um lado, e a Orgonomia reichiana e a idéia de auto-regulação, de outro. Do mesmo modo, a proposta clínica reichiana de intervenção corporal também irá requerer muitos ajustes em relação à proposta psicanalítica tradicional, frontalmente contrária a isto.

Neste ponto, cabe a pergunta: não seria melhor deixar de lado a psicanálise, como fez o próprio Reich, e buscar o aprimoramento da psicoterapia reichiana de outras formas? Muitos autores do campo reichiano parecem seguir nesta direção, pouco ou nada enfatizando a teoria psicanalítica em sua apresentação das idéias reichianas (Gaiarsa 1984, 1982; Mann 1989; Raknes 1988). Claro que é válida a busca de outros caminhos de desenvolvimento, e uma das características positivas do pensamento reichiano é a sua abertura e amplitude, permitindo conexões teóricas e práticas das mais variadas. Entretanto, acredito que o diálogo com a teoria psicanalítica continua sendo essencial, apesar das dificuldades e dos desafios apontados, e diversos autores têm dado importância a isto (Baker 1980; Boadella 1997; Boyesen 1986; Briganti 1995, 1994, 1987; Cerri 1994, 1993; Cornell 1998; Lowen 1982; Rego 1996, 1994, 1992; Wagner 2000, 1996).

O ponto crítico, a meu ver, é que parece faltar um embasamento psicológico bem fundamentado às diversas escolas de psicoterapia corporal inspiradas na obra de Reich. Soa um pouco estranho dizer isso de uma maneira tão radical, mas me parece que Reich e outros pesquisaram o reino do somático e chegaram a descobertas fantásticas, criando intervenções que funcionam para além da palavra e do simbólico. Porém, nesse desenvolvimento, a questão da construção de uma psicologia profunda que fundamentasse e organizasse essas formulações acabou ficando um pouco para trás. Segundo o próprio Reich afirmou em 1944 (p. 11), “a economia sexual não é uma psicologia e sim uma teoria biofísica da sexualidade.” Um prenúncio disso pode ser visto já em 1935 quando ele diz que “o orgasmo não é um fenômeno psíquico (...) no entanto, é o problema central da economia psíquica.” (Reich, 1995, p. 274). Houve uma ruptura com a psicanálise, mas não se construiu uma outra teoria psicológica que pudesse substituí-la. Restou algo como uma psicanálise um tanto rasa e esquemática a emoldurar a visão de mundo da psicoterapia reichiana. Muitos autores do campo reichiano buscaram, nos últimos anos, como já foi citado, preencher esta lacuna mas, na minha opinião, existe ainda um longo caminho a ser trilhado.

Reich diz que sua abordagem vai além do período verbal e “a psicanálise não sabe nada sobre isto. Não pode saber. Não é uma censura. Não quero dizer que seja nociva ou insuficiente. Quero dizer que é uma psicologia. E a psicologia tem que se cingir à psicologia, ao trabalho e às idéias psicológicas” (Reich 1979, p. 39). “A psicanálise é uma psicologia de idéias, enquanto a orgonomia é uma ciência da energia física”. (idem, p. 118).

Surgiram formas de intervenção que funcionam a nível psíquico e emocional de maneira um tanto independente do processamento simbólico e cognitivo , como inúmeras formas de massagem (Boyesen 1986), exercícios de bioenergética (Lowen e Lowen 1985), grupos de movimento (Gama e Rego 1994), actings (Navarro 1996), técnicas respiratórias (Gama e Rego 1994; Lowen e Lowen 1985) etc. Acredito que, por muito tempo, foi tão fascinante perceber-se sua eficácia, que aos poucos o desenvolvimento do campo da psicoterapia corporal foi se concentrando na descoberta e desenvolvimento de novas formas de intervenção corporal. Paralelamente, parece ter havido um certo descuido do pensar, do falar, da razão, do simbólico, enfim da psicologia.

Reich afirma em 1944 que “... o economista sexual e vegetoterapeuta é essencialmente um bioterapeuta e não mais um psicoterapeuta.” (Reich, 1944/1995, p. 10). Comenta também que “a solução dos problemas da psicologia está fora da esfera da psicologia. Por exemplo, um simples bloqueio de pulsação orgonótica na garganta torna compreensível, de forma simples, o mecanismo mais complicado de sadismo oral” (idem, p.278). Em 1948 afirma que “... o orgonoterapeuta, que está treinado a ver um paciente antes de mais nada como um organismo biológico (...) o aspecto psicológico do sofrimento emocional continua a ser importante e indispensável; já não é, contudo, o aspecto mais importante da biopsiquiatria orgonômica (...) na orgonoterapia procedemos bioenergeticamente, e não mais psicologicamente.” (Reich, 1995, p. 11-12). “Na orgonoterapia, nosso trabalho concentra-se nas profundezas biológicas, no sistema plasmático, ou, como dizemos tecnicamente, no núcleo biológico do organismo. Este, como fica logo evidente, é um passo decisivo, porque significa que deixamos a esfera da psicologia, e da psicologia ‘profunda’, e entramos na área das funções protoplasmáticas, indo até mesmo além da fisiologia dos nervos e músculos.” (idem, p. 331). “A orgonoterapia, ao contrário de todas as outras formas de tratamento, tenta influenciar o organismo não por meio da linguagem humana, e sim levando o paciente a se expressar biologicamente (...) a biopatia se coloca fora da esfera da linguagem e das idéias. Daí que o trabalho orgonoterapêutico sobre a biopatia humana fica essencialmente fora da esfera da linguagem humana.” (ibidem, p. 334).

Autores do campo reichiano que propuseram a retomada importância dos aspectos psicológicos em seu trabalho parecem discordar dessa ênfase unilateral nos aspectos somáticos. Por exemplo Lowen (1982, p. 36) comenta que, “como analista, Reich enfatizou a importância da análise do caráter. No meu tratamento com ele, esse aspecto da terapia foi de alguma forma minimizado. Foi ainda mais reduzido quando a vegetoterapia caractero-analítica foi transformada em terapia orgônica. Apesar de que o trabalho de análise do caráter tome muito tempo e paciência, este me parece indispensável para um sólido resultado.”

Note-se que este tipo de abordagem não foi específico das psicoterapias reichianas. A psiquiatria ao longo do século XX caracterizou-se em grande medida pela ênfase dada ao tratamento de doenças mentais a partir de intervenções somáticas. A psicofarmacologia, a aplicação de correntes elétricas, e mesmo a secção de tratos nervosos, são em geral o tratamento de escolha, por serem considerados mais efetivos do que as psicoterapias. Em outras palavras, o biológico como meio essencial de cura do distúrbio psicológico, relegando-se para um segundo plano a compreensão psicológica e o tratamento psicológico dos distúrbios mentais. Ou seja, o campo reichiano não foi o único a biologizar o psiquismo.

Levada ao extremo, essa tendência levaria a que deixássemos de ser psicoterapeutas corporais, tornando-nos simplesmente terapeutas corporais. Ressalte-se que há um grande valor neste segundo tipo de profissional. São pessoas que podem exercer uma atividade útil e eficaz, que podem ser de grande valia em inúmeros casos, seja como atividade associada à psicoterapia ou como algo independente. Acredito inclusive que uma das boas heranças do movimento reichiano seja ter criado este tipo de profissional, ampliando o espectro de possibilidades de combate ao sofrimento humano. Mas é algo diferente de uma psicoterapia corporal. Ao falarmos em psicoterapia corporal, estamos pretendendo dar conta de uma abordagem integrada e não-dissociada da mente e do corpo, do funcionamento uno das dimensões física e simbólica do ser humano. E para isso é preciso um refinamento na compreensão do somático e do psíquico, um domínio das intervenções técnicas em ambos os campos. É nesse ponto, na dimensão do simbólico, do psíquico, que entra fundamentalmente, a meu ver, a contribuição que a psicanálise pode dar à psicoterapia corporal.

5. UM POSSÍVEL CAMINHO

Talvez um dia os reichianos (ou pelo menos alguns deles) sejam considerados como um tipo específico de psicanalista, tal como existem os lacanianos, os kleinianos e outros. O ramo desmembrado voltaria a se juntar à árvore principal, as convergências e similaridades sendo muito mais fortes do que as diferenças.

Outra possibilidade é que a psicoterapia reichiana progrida formidavelmente na sua especificidade, e os psicanalistas de algum modo se convençam de que Reich é que estava certo na sua ruptura com Freud, aderindo em massa às concepções teóricas e clínicas da psicoterapia corporal.

Acredito que ambos os cenários descritos são bem pouco prováveis, e gostaria de expor uma outra possibilidade que julgo mais promissora: seria possível um intercâmbio entre a psicanálise e a teoria reichiana, mas este ocorreria de maneira unidirecional, ou seja, pode-se integrar elementos psicanalíticos no campo reichiano, mas o caminho inverso é bastante difícil e tortuoso. Pode-se fazer tortas de maçã a partir de maçãs, mas não se pode fazer maçãs a partir de tortas de maçã.

Algumas analogias podem ajudar. Uma é a do milho e da pipoca. São a mesma substância, mas uma transformação expansiva se deu, algo mudou. Há uma ampliação de universo sensorial na psicoterapia reichiana: além da audição, nós vemos (leitura corporal), nós tocamos (tato), nós utilizamos a propriocepção de maneira importante. Se couber tudo isso dentro da psicanálise, ela não será mais psicanálise, como já afirmado acima. Haveria uma irreversibilidade no processo.

Outra analogia é a relativa aos judeus e cristãos. O cristão aceita os 10 mandamentos, o Genesis, os salmos, e todo o Velho Testamento, mas ele não é mais judeu. O judeu não o reconhece judeu, ele não se reconhece judeu. Os rituais e costumes são diferentes e, apesar de tudo, há uma tradição judaico-cristã. A ninguém de bom senso ocorreria forçar os cristãos a se converter ao judaísmo e nem vice-versa. É bom que haja diálogo entre ambos? Sem dúvida, desde que haja respeito à especificidade de cada um. Da mesma maneira, os reichianos podem beneficiar-se da leitura do Velho Testamento da Psicanálise, podem aceitá-lo, valorizá-lo, sem precisar converter-se a algo que não são.

Acredito que é bobagem ficar buscando reconhecimento de paternidade. O exame do que poderíamos chamar de “DNA ideológico” confirmará a origem, sem dúvida: veja-se, por exemplo, o já citado levantamento feito por Wagner (1996, p. 88-98), a partir de textos de Freud que definem o que é e o que não é psicanálise, concluindo que a teoria reichiana concorda com todos os aspectos essenciais ali definidos. Apesar disso, como afirma o próprio Wagner (idem, p. 44) não é o caso de buscar reintegrar Reich ao IPA ou de resgatar a carteirinha de psicanalista de Reich.. O que importa é a herança (intelectual), e felizmente isso não é tão difícil: os livros estão aí, os mestres estão disponíveis ...

Na minha visão, a atitude correta é a antropofagia, no sentido simbólico indicado pelos modernistas brasileiros. Não vamos ser como os psicanalistas, não vamos convertê-los e nem ignorá-los. Vamos “devorá-los” no que têm de bom e que nos falta.

Proponho aqui uma hipótese sobre a relação entre as idéias de Freud e Reich, à qual dou o nome de “teoria da pasta de dente”. A proposta reichiana seria como a pasta de dente que saiu do tubo da psicanálise. Não é possível, ou pelo menos é muito difícil e forçado, recolocar a pasta de volta no tubo. Mas é possível, desejável e útil, espremer mais um bom tanto o tubo da psicanálise para obter mais pasta reichiana de boa qualidade. A “pasta” a que me refiro seria a fundamentação psicológica cuja falta leva ao risco de superficialidade na compreensão dos distúrbios psíquicos, e conseqüentemente também na intervenção clínica. Uma psicoterapia profunda só é possível quando se conta com uma compreensão psicodinâmica da estrutura psíquica e do processo analítico.



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