"O amor, o conhecimento e o trabalho, são fontes de nossas vidas. Deveriam também governá-los". - Wilhelm Reich







quarta-feira, 27 de julho de 2011

Reflexões Sobre o Amor

O que poderíamos encontrar também em alguns artistas do século passado, que de algum modo falam de amor? Mesmo que sejam para brincar com o tema.


“O amor dura enquanto o dinheiro dura.” Willian Caxton, gráfico inglês.

“A credulidade no amor é a mais fundamental fonte de autoridade”. Sigmund Freud, psicanalista austríaco.

“Amor é como vinho barato... leva-nos às estrelas, mas deixa-nos com a ressaca do amanhã”. Chirs Garrat, cartunista inglês.

“Amor é o que acontece quando um homem e uma mulher não se conhecem”. W. Somerset Maugham, escritor e dramaturgo inglês.

“Falai baixo, se falais de amor”. William Shakespeare, dramaturgo e poeta inglês.

“A suprema felicidade da vida é a convicção de que nós somos amados”. Victor Hugo, poeta, novelista e dramaturgo francês.

“Quando o amor nos visita, a amizade se despede”. Marquês de Maricá, escritor e estadista brasileiro.

“O flerte é a aquarela do amor”. Paul Bourget, filósofo francês.

“A duração de nossas paixões depende tão pouco de nos quanto a duração de nossa vida”. La Rouchefoucauld, autor clássico francês.

“O tempo, que fortalece as amizades, enfraquece o amor”. La Bruyère, escritor satírico e moralista francês.

“O que não temos, o que não somos, o que nos falta, eis os objetos do desejo e do amor”. Platão, filósofo grego.

“Com o amor não se brinca”. Alfred de Musset, escritor e dramaturgo francês.



terça-feira, 19 de julho de 2011

Falta Desejo, Doutor!!


A falta de desejo sexual é um problema que afeta mais mulheres do que se imagina. Muitas delas ficam angustiadas por não conseguirem satisfazer o parceiro e relacionam a perda do desejo com o desgaste do relacionamento. O que elas não se dão conta ou muitas vezes não sabem, é que problemas físicos e psicológicos também podem afetar a libido e podem ser as causas do comportamento de virar para o lado e dormir na hora da intimidade. Alguns detalhes como auto-estima elevada, mente relaxada e conhecimento do próprio corpo podem fazer toda a diferença.

O que causa a falta de desejo sexual feminino?

Na maioria das vezes, a origem do desinteresse é psicológica. A insatisfação com a vida pessoal, o estresse por causa do trabalho, contas para pagar, tensão, preocupação com os filhos e até mesmo medo do desempenho sexual e o comportamento do parceiro podem afetar o desejo feminino. Além dos fatores emocionais, a falta de desejo feminino pode ser causada por alterações hormonais de testosterona, responsável pelo apetite sexual e o estrogênio, hormônio básico da mulher. As oscilações de estrogênio durante o ciclo menstrual e após a ovulação deixam algumas mulheres mais sensíveis. Também há relação entre menopausa e desejo sexual. Na menopausa o problema pode ser mais crítico, é a fase em que o corpo da mulher para de fabricar o estrogênio e há mais chances de surgir a depressão, que acaba com o desejo sexual.

Como recuperar o desejo sexual?

O primeiro passo é conversar com seu ginecologista para checar se a falta de desejo sexual está associada somente a preocupações externas ou se existe um problema orgânico envolvido. Com o diagnóstico do médico é possível resolver o problema, existem tratamentos para recuperar o interesse pelo sexo. Em alguns casos, somente o uso de medicação pode ajudar bastante. É possível também repor através de remédios os hormônios que o corpo da mulher deixa de produzir naturalmente.

Quando seu organismo está saudável e suas emoções equilibradas, você se sente mais disposta e o desejo sexual reaparece. Outra forma de resolver o problema é tentar estabelecer um diálogo aberto com seu companheiro, com bastante sinceridade. Tente também deixar o estresse e as preocupações de lado por alguns momentos e seja feliz, permita-se desfrutar de momentos de intimidade.

Falta de desejo sexual na gravidez

Com a gravidez, o corpo se transforma e o desejo sexual também. Muitas mulheres ficam inseguras, acham que não são mais atraentes para o parceiro e acabam deixando o sexo de lado durante a gestação. Outra dúvida que afeta a vida sexual das futuras mamães é se o ato pode machucar o bebê. Na verdade isso não passa de um mito, manter as relações sexuais durante a gravidez é muito saudável. Algumas posições podem ser incômodas por causa da barriga, mas o casal deve experimentar diversas formas, até encontrar a mais confortável. A prática só deve ser evitada se a mulher tiver complicações na gravidez, como sangramentos, por exemplo.

A falta de desejo é uma das disfunções mais frequentes e chega a acometer entre 15 a 34% das mulheres. Também é chamada de perda ou diminuição da libido.

Tem diversas causas, entre elas as mais comuns são alterações hormonais provocadas por uso de diversos medicamentos (ex: anticoncepcionais), parto, amamentação, menopausa e disfunções hormonais.

Outra causa muito comum é o uso de antidepressivos.

Outras causas estão relacionadas ao stress da vida diária, a rotina sexual do casal em que tudo é sempre igual, ao cansaço físico e mental.

Ainda existem outras causas relacionadas a diversas doenças orgânicas, como infecções e problemas genitais que provocam desconforto ou dor à relação sexual, reduzindo o interesse pelo sexo, e também relacionadas ao uso de drogas, álcool e cigarro.

Muitos casais acham que esse sintoma é falta de amor, mas na maioria das vezes isso não é verdade. Sexo não deve ser confundido com amor, que é um sentimento humano muito mais profundo que o sexo. A solução passa por uma consulta com o ginecologista para que este possa avaliar as causas e, se for o caso, encaminhar o casal para o tratamento mais eficaz.

Muitas mulheres se queixam de que não conseguem sentir prazer na hora da relação sexual e fala que não sente nenhum pouco a vontade com isso. Mas, o que os homens devem saber é que as mulheres não têm um botão de liga e desliga, pois na hora do prazer elas necessitam de uma combinação de vários detalhes que fazem toda a diferença para as mulheres, mas que os homens nem sequer percebem. A mulher antes mesmo de entrar em ação necessita estar com a auto-estima elevada, estar com a mente tranqüila, ter um bom conhecimento do próprio corpo e não estar preocupada. E, além disso, tem uma imensa quantidade de hormônios e de diversas substâncias químicas que entram em ação e também o parceiro deve estar dedicado e estar disposto a estimular os pontos estratégicos femininos. Os fatores psicológicos e orgânicos servem como uma espécie de combustível para acender o prazer feminino na hora da relação sexual e os hormônios femininos como o estrogênio e também os masculinos como a testosterona tem um papel muito importante para que tudo isso ocorra da melhora maneira possível. Mulheres que sentem dificuldade em sentir prazer durante as relações sexuais possuem um problema que os ginecologistas chamam de desejo hipoativo e isso é mais comum do que parece. Mas, alguns cientistas estão próximos das soluções para que o termômetro do sexo volte a funcionar normalmente. Uma das novidades é o flibanserin, o qual é uma droga que foi desenvolvida em laboratório, a qual poderá ser a primeira pílula que tem a capacidade de estimular o apetite sexual feminino, porém ainda não tem resultados definitivos. Porém, ela é bem diferente das pílulas masculinas, as quais agem na hora, o flibanserin leva de seis a oito semanas para produzir os efeitos. Com isso as mulheres irão instigar o interesse sexual e terão uma melhor relação amorosa por conta do prazer. A depressão é outro problema que faz com que quase 40% das mulheres tenham a produção da libido abaixo de zero e as oscilações de estrogênio durante o período menstrual também tem culpa e a ovulação também às vezes é culpada pela falta de prazer. Esses fenômenos acabam com a concentração de serotonina e daí as mulheres sentem aquela tristeza e a atração por seu parceiro não passa de uma mera lembrança do passado. E para não acabar por ai aparece a fase crítica da vida de uma mulher, a menopausa, onde os ovários não produzem mais estrogênio e a depressão aparece e acaba com a produção de libido. Todos os remédios voltados para a melhora do prazer tanto feminino quanto masculino atua no nosso cérebro na parte os mora as emoções e a partir disso afetam a vida sexual das pessoas. Outro remédio voltado para a mesma área do flibanserin é a desvenlafaxina, a qual é um antidepressivo que acaba de chegar ao Brasil. A desvenlafaxina não atua no nosso cérebro e sim acaba com a depressão, pois regula os neurotransmissores de serotonina de maneira bem mais natural que diversos remédios que estão no mercado. Quando a produção de estrogênio diminui a mulher sofre com o ressecamento vaginal e isso acarreta em dores na hora da relação sexual e por causa disso a mulher não sente vontade e muito menos prazer na hora da relação amorosa. O estrogênio também melhora a dilatação dos vasos sanguíneos e com isso melhora a irrigação sanguínea nos órgãos genitais e proporciona mais prazer. Mas, para mulheres que possuem esses problemas existem géis a base de óxido que ajudam na excitação e preserva a umidade vaginal. Há também os adesivos de testosterona que só podem ser utilizados com prescrição médica. Estresse, ansiedade e baixa auto-estima interferem e muito na hora do prazer e para isso o ideal é fazer uma psicologia, pois ela ajuda a incentivar a pessoa a conhecer melhor o seu próprio corpo para que a insegurança e os conflitos fiquem para trás. Se o seu prazer não é mais o mesmo procure o seu médico ginecologista e ele fará um check-up em tudo e a partir disso ele saberá o que fazer!



segunda-feira, 11 de julho de 2011

Como resolver o problema da falta de libido?

Nem os pézinhos estão se encontrando.
A libido é o outro nome dado ao desejo sexual. No homem, a sua diminuição pode estar relacionada à influência de vários fatores, orgânicos ou não-orgânicos (psicológicos).
Pesquisa recente realizada para a investigação da disfunção erétil mostrou que cerca de 10% dos brasileiros apresentam este sintoma, sendo que na Europa este número pode chegar a 30%. A tendência para os próximos anos é de um aumento nestas cifras, devido, principalmente, ao envelhecimento da população e ao estilo de vida estressante levado atualmente.
Os fatores psicológicos são as causas mais comuns na diminuição do desejo sexual. Dificuldades financeiras, conflitos no trabalho, problemas familiares, desentendimentos com a parceira... Tudo isso pode culminar na perda da libido. Situações de estresse no homem geralmente afetam o desejo sexual, podendo levá-lo a não se interessar pela parceira por longos períodos.
Outros distúrbios psíquicos mais profundos também podem ser responsabilizados: situações traumáticas ou de abuso sexual, mensagens anti-sexuais durante a infância, comportamento sedutor por parte dos pais, dificuldade em unir amor e sexo na mesma pessoa, competição temida entre o pai e a mãe, entre outros.
Das causas orgânicas, a mais conhecida e estudada hoje é a diminuição da testosterona. Com o envelhecimento, é natural que ocorra uma queda gradativa nos níveis séricos de testosterona, principalmente após os 50 anos.
Em alguns pacientes, esta queda pode ser mais acentuada e gerar problemas na esfera sexual, como impotência e perda do desejo. Por meio de uma conversa dirigida e com a ajuda de exames específicos, o médico pode detectar os homens que se beneficiarão da reposição de testosterona (no caso um urologista). A terapia é feita através de injeções mensais ou trimestrais e tem um bom resultado na maioria dos casos.
Outras doenças também podem cursar com a diminuição da libido: depressão, distúrbios da tireóide e hipófise, alterações genéticas hereditárias, insuficiência renal e hepática. Do mesmo modo, algumas medicações podem interferir no desejo sexual, tais como bebidas alcoólicas em excesso, maconha, algumas classes de anti-hipetensivos e antidiabéticos, e também, paradoxalmente, algumas drogas antidepressivas. É importante salientar que um psicólogo, principalmente especializado em sexualidade humana (não menospresando os outros colegas, mas o sexólogo tem mais carga de conhecimento, afinal, estudou e continua estudando para isso).
É importante lembrar que as substâncias ditas ''afrodisíacas'' na cultura popular, como ginseng, ovo de codorna, vitamina E, amendoim e cerveja preta não apresentam comprovação científica na melhora da libido masculina.






domingo, 3 de julho de 2011

Bukowski e sua Psi


O Livro que tirei o poema.
Hoje vou colocar um poema do escritor Charles Bukowki que me chamou muito a atenção.
Muitas pessoas não compreendem e nem querem por vezes, compreender o que é e quem é este senhor que escreve sobre a realidade dos subúrbios, as prostitutas, a bebida, o jogo, enfim, a degradação humana de uma época não muito distante. Assim como Nelson Rodrigues, este que também é repelido, traz muito o que se pensar dentro da psicologia. O que seria a psicologia destes autores? O que é a auto-destruição de um homem? Eles pedem socorro nas entrelinhas, mas poucos entendem. Acompanhe-me nesta interpretação do "Velho Safado", também conhecido como Santo Padroeiro dos Escritores Bêbados.
Segue abaixo um poema que vejo como um pedido de socorro:

A dor é uma coisa estranha.

Um gato que mata um pássaro,
um acidente de automóvel,
um incêndio...

A dor chega,
BANG,
e eis que ela te atinge.

É real.

E aos olhos de qualquer pessoa pareces um estúpido.
Como se te tornasses, de repente, num idiota.
E não há cura para isso,
a menos que encontres alguém
que compreenda realmente o que sentes
e te saiba ajudar...

O que podemos encontrar neste poema?
É o dia a dia, as coisas que acontecem e em alguns casos não sabemos, mas quando isso nos vem a cabeça ou quando acontece com alguém que conhecemos, ou até mesmo com nós mesmos, a coisa muda de figura.
"A dor é uma coisa estranha".
E realmente é! Sentimos a nossa dor e a dor do outro em alguns casos, isso se não formos tão egoístas. A dor é algo que sabemos que ela está lá, mas não sabemos como controlar, sabemos em alguns casos até onde está localizada, mas quando sabemos disso, pode ser tarde demais. BANG!
" E aos olhos de qualquer pessoa pareces um estúpido". 
Aos olhos dos outros, uma dor pode ser algo banal. Muitas pessoas tem o péssimo hábito de comparar suas dores com as dos outros, é sempre a sua maior que o mundo. A neurose obssessiva se encontra aí com força total.
"Como se tornasses aí um idiota".
É nesse caminho que a depressão atinge porque a impotência da dor é algo que não se sabe distinguir e para muitos, a dor é apenas algo que ...passa, não precisa tanto estardalhaço. Mas como não? Se a dor que sente é só sua! O outro não sente e ainda faz um alguma declaração que faz com que sentíssemos pequenos.
A dor é real. Ela vive em todos nós e nos atormenta. Física e psicológicamente.
"E não há cura para isso,
a menos que encontres alguém
que compreenda realmente o que sentes
e te saiba ajudar..."
Eis aí o ponto chave do poema!! A dor, ela tem cura, sim! A menos que você queria fazer com que ela desapareça ou amenize, mas em muitos casos é melhor mesmo que vá embora e não volte....tão cedo!
O fato da frase que Bukowski parece ser muito óbvia, mas não vou deixar o ego subir. Procurar alguém que compreende a dor, podem ser muitos especialistas, médicos, terapeutas etc. Para cada dor há alguém que possa aliviar o problema.
Acho que no caso, ele pede um psicólogo, alguém que possa conversar sobre o que dói e seus próprios problemas, sem que alguém o descrimine, que entre suas consultas amenize a dor de viver no vício, na infelicidade e na prisão de estar sempre desesperado por algo que possa fazer com que tudo a sua volta seja de maneira melhor, para o seu bem-estar.
Talvez, a dor que sentia por tantos anos o deixou em paz em 1994, ano de seu falecimento.
Só tenho a lamentar pois, por mais que ele tenha pedido socorro, muitos não o ouviram e ele se deixou levar pela solidão.

O escritor e sua dor. Abraçado ao seu instrumento de trabalho que deixava as páginas manchadas pela sua realidade.
Mais um na lista dos escritores malditos.

"Não sei quanto às outras pessoas, mas quando me abaixo para colocar os sapatos de manhã, penso, Deus Todo-Poderoso, o que mais agora?"


Charles Bukowski (Hank Chinaski)














quinta-feira, 23 de junho de 2011

Introvertido e Extrovertido

                  
                 Ao pensarmos em Tipos de Personalidade, antes é fundamental comentar algumas coisas sobre o Normal, o Não-Normal e o Patológico. Pelo Critério Estatístico, normal seria o mais freqüente, numericamente definido, aquilo que é compatível com a maioria. Em medicina, de um modo geral, ao se estabelecer o que é normal para a dosagem de glicose, a pulsação, tensão arterial, correspondência peso-altura, duração do ciclo menstrual, acuidade visual, etc., pensou-se naquilo que se encontrava na maioria estatística das pessoas.
                Não obstante, na medicina, nenhuma das cifras de avaliação da pessoa têm um valor absolutamente rígido e único, pois, como sabemos, o ser humano não é um arranjo matemático e estatístico. Falamos em faixas de normalidade, ou seja, o normal fica situado entre este e aquele valor. É o caso da glicemia, por exemplo, com o normal entre 90 e 110 mg%, ou a freqüência cardíaca, com o normal entre 70 e 90 batimentos por minuto e assim por diante.
                  Dentro do Critério Estatístico, devemos ter em mente o seguinte: nem sempre o habitual é normal ou ainda, nem sempre o excepcional é patológico. Portanto, as exceções à regra estatística devem ser valorizadas inicialmente como, simplesmente, Não-Normais, de forma a tornar este critério estatístico apenas relativamente válido. Os dentes cariados, por exemplo, embora muito freqüentes e habituais não são dentes normais, assim como a gravidez de gêmeos, apesar de não-normal, não chega a ser uma doença.
                 De um modo geral, o Critério Estatístico deve servir para destacar da população geral o não-habitual, o diferente ou o não-normal e, isoladamente, isso não é suficiente para autorizar declarar este incomum como doença. O próprio sistema cultural vigente se incumbe de argüir os comportamentos que excedem os limites da suposta faixa de normalidade e os pensamentos que escapam de uma pretendida faixa de coerência e realismo. Desta forma, ou seja, estatisticamente, os comportamentos são considerados bizarros, inadequados, esquisitos, aberrantes, etc, ou os pensamentos incoerentes, sem nexo, irreais. As afirmações populares de que "... fulano não fala coisa-com-coisa..." ou que "... fulano se comporta de maneira estranha" são avaliações motivadas pelo Critério Estatístico.
                  O Critério Estatístico somente terá valor depois de consideradas todas as variáveis: situacionais, sócio-culturais, temporais e existenciais. Por isso, não deve ser atribuído a este sistema de ajuizamento um caráter decisório mas sim, subsidiário, o qual só terá valor se for considerado conjuntamente com outros critérios, incluindo o Critério Valorativo.
                 No Critério Valorativo a quantidade dá lugar à qualidade. Aceitando-se a idéia de que o termo "patológico" implica em prejuízo e morbidade, pelo Critério Valorativo podemos considerar que, em não havendo prejuízo ao indivíduo, aos seus semelhantes e ao sistema sócio-cultural, toda tentativa de destacar-se dos demais deverá ser sadia e desejável.
                No critério valorativo interessa o VALOR que o sistema sócio-cultural atribui à maneira do indivíduo existir. Enquanto o Critério Estatístico utiliza termos como incomum, infreqüente, desproporcional, raro, fora do comum ou diferente, no critério valorativo os adjetivos serão outros. Esses termos dizem mais respeito à qualidade que à quantidade: mórbido, nocivo, indesejável, prejudicial, degenerado, deficiente, sofrível, cruel, irracional, desadaptado e assim por diante.
                A Organização Mundial de Saúde diz que o completo estado de bem estar físico, mental e social define o que é saúde, portanto, tal conceito implica num critério valorativo, já que, tanto o bem-estar quanto o mal-estar, dizem respeito a valores. A depressão, por exemplo, tendo em vista sua grande ocorrência universal, poderia ser considerada normal (de tão habitual), do ponto de vista estatístico. Porém, devido ao fato de tratar-se de um afeto inegavelmente desagradável e capaz de proporcionar sério prejuízo à qualidade de vida , sugere uma qualidade de valor, sugere algum grau de sofrimento, portanto, uma certa morbidez. É por isso que a depressão, apesar de muito comum, ser patológica.
                Se vamos falar da Personalidade, tomando-a pelo conjunto dinâmico de traços no interior do eu, é bom destacar a idéia de que nenhum ser humano mostrará, em sua personalidade, traços que já não existam em outros indivíduos. Todos nossos traços aparecem como uma espécie de patrimônio do ser humano, ou seja, esses traços são atribuições características de nossa espécie.
               O senso comum de um sistema sócio-cultural costuma elaborar uma relação muito extensa de adjetivos utilizados para a argüição dos indivíduos baseado na descrição de traços. Nesta visão o indivíduo pode ser classificado como sincero, honesto, compreensivo, inteligente, cálido, amigável, ambiciosos, pontual, tolerante, irritável, responsável, calmo, artístico, científico, ordeiro, religiosos, falador, excitado, moderado, calado, corajosos, cauteloso, impulsivo, oportunista, radical, pessimista, e por aí afora. Podemos ainda considerar a pessoa através de seu Traço Predominante, da característica que melhor à define, como se, entre tantos traços caracteristicamente humanos, este determinado traço específico predominasse sobre os demais.
               Pois bem. É exatamente a predominância de alguns traços e a atenuação de outros que acaba por constituir a personalidade de cada um do jeito que ela é. Enfim, é como se o artista conseguisse extrair uma cor única e muito pessoal misturando uma série de cores básicas encontradas em todas as lojas de tintas. A combinação dos Traços resultará uma unidade funcional humana completamente distinta de todas os demais; o indivíduo.
               Em termos de traços e características de personalidade, o estado que podemos chamar de ano-mal deve, com freqüência, surgir como se fosse uma lente de aumento colocada sobre os traços normais. Nessa abordagem nos interessará, como traço de personalidade, apenas um aspecto; a maneira pela qual a pessoa contata o mundo à sua volta, a maneira pela qual a pessoa interage com o mundo objectual à sua volta, enfim, a maneira pela qual o sujeito se relaciona com o objeto. Isso definirá as pessoas ditas Introvertidas e as Extrovertidas.

Personalidade Tipo Introvertida

                Como o nome diz, Introvertida é a pessoa que se orienta predominantemente para dentro, se orienta mais para o subjetivo que para o objetivo ou exteriormente dado. O tipo introvertido de personalidade se distingue do tipo extrovertido por se orientar predominantemente por fatores subjetivos e não por elementos objetivos e/ou objetivamente dados. A pessoa introvertida sempre elabora uma opinião subjetiva a partir da percepção do objeto (do mundo), de forma que este tenha, ao lado do objetivamente dado, também e principalmente um caráter subjetivo.
                 Embora a pessoa com predisposição introvertida também observe as condições exteriores e objetivas, ela elege as determinações subjetivas como os elementos decisivos do existir, portanto, apesar de ser uma pessoa que também se orienta pelos elementos da percepção e do conhecimento como todo mundo, ela supervaloriza o componente subjetivo que ultrapassa a excitação fisiológica dos sentidos.
                  Quando, por exemplo, duas pessoas vêem um mesmo objeto, nunca se poderá afirmar que elas o vêem de maneira idêntica. Mesmo deixando de lado as diferenças sensoriais e fisiológicas que existem entre nós, sempre existirão muitas e profundas diferenças na natureza, no significado e na medida da imagem psíquica percebida e assimilada. Enquanto a personalidade extrovertida se prende predominantemente àquilo que recebe sensorialmente do mundo (objeto), o introvertido se prende, sobretudo, à impressão subjetiva que o objeto é capaz de produzir nele.
                    A forma de se relacionar com a realidade da pessoa introvertida mostra que suas percepções e seu conhecimento se encontram não só condicionados pelos órgãos dos sentidos (objetivamente) mas, também, subjetivamente condicionados pelo seu perfil. Agora, convém deixar claro o que se pretende entender por "subjetivo". Subjetivo seria o acontecimento, a ação ou a reação psicológica causada pela influência do objeto no psiquismo de cada um, seria uma mudança íntima no sentido de constituir, a partir de nossa experiência com o objeto, um novo estado psíquico. Isso é o "subjetivo".
                   Aliás, nós nunca dispomos intelectualmente, organicamente e biologicamente de todos os critérios suficientes para uma avaliação plena e completa do mundo que nos rodeia. Sempre haverá aspectos da realidade não inteiramente apreendidos por nós. Um mesmo quadro, paisagem ou objeto despertará diferentes impressões nas diferentes pessoas que os apreende.
                  Devido à supervalorização do conhecimento objetivo preconizado pelo mundo moderno, acabamos esquecendo que há, nas pessoas, um equipamento sentimental e afetivo capaz de atribuir peculiaridades pessoais à todo tipo de conhecimento. Hoje em dia é comum valorizar exageradamente o contacto objetivo (extrovertido) com as coisas, com as formas, com as cores, com os preços, os tamanhos, etc, etc, de tal forma que a palavra "subjetivo" represente, às vezes, uma espécie de censura à racionalidade pretensamente desejável às pessoas ditas normais.
                 A deposição subjetiva dos introvertidos atém-se à uma estrutura psicológica pessoal (temperamento) que, em princípio, nos é dada por herança e constitui uma característica inerente à pessoa. Na realidade, trata-se de uma sensibilidade psicológica do sujeito que se apresenta antes mesmo do desenvolvimento completo de sua personalidade. Por isso se diz inata.
                   Nos introvertidos o objeto, os fatos e a realidade concreta provocam manifestações emocionais subjetivas mais fortes que as concepções objetivas que se pode ter deles. Portanto, as concepções subjetivas dos introvertidos são mais poderosas que a influência do próprio objeto e o valor psíquico dessas concepções subjetivas sobrepõem-se a toda e qualquer impressão sensorial que se tem do próprio objeto.
                  Da mesma forma que para os extrovertidos possa parecer inconcebível que um conceito subjetivo se sobreponha à situação objetiva dos fatos, aos introvertidos também parecerá inconcebível que os valores objetivos dos fatos (objetos) tenha de ser um fator decisivo. Essas posições antagônicas dependem da sensibilidade de cada tipo de personalidade.
                   Por causa dessa discrepância no contacto com a realidade o extrovertido acabará acreditando que o introvertido é egoísta, vaidoso ou arrogante ideológico. Parecerá ao extrovertido que o introvertido age sob a influencia de idéias, conceitos, valores éticos, morais, culturais ou mesmo poéticos. O introvertido, devido a sua maneira determinada, normatizadora, francamente generalizadora e, tendo opiniões bem definidas sobre as coisas, será capaz de despertar ainda mais o preconceito dos extrovertidos. A determinação e rigidez do juízo, comuns ao introvertido em relação a tudo que for objetivamente dado, costumam dar a impressão de um forte egocentrismo.
                  Um exemplo tosco da diferença introvertido-extrovertido seria a sensibilidade necessária ao introvertido para compor uma música e a facilidade do extrovertido em dançar essa música. O arranjo de notas seria o objeto, além do qual exerce sua sensibilidade e subjetivismo o introvertido. A apreensão rítmica (captação do objeto) e coordenação motora é habilidade própria do extrovertido.

A DIFICULDADE COM O NOVO

                A superioridade do fator subjetivo na consciência do introvertido resulta uma subvalorização do fator objetivo e, desta forma, o objeto não tem para ele a mesma importância que deveria ter para os extrovertidos. Nos extrovertidos o objeto desempenha uma função excessivamente importante e, nos introvertidos, é por demais diminuto.
                Um fator de risco no relacionamento dos introvertidos com o mundo está no conflito desgastante, por um lado, entre a tendência de se imporem subjetivamente aos objetos, a ponto de até se divorciarem destes e, por outro lado, a força das inegáveis, reais, concretas e avassaladoras impressões provenientes do mundo objectual que nos rodeia. Chega um ponto onde o introvertido acaba se prejudicando por menosprezar o necessário objetivismo necessário ao bom andamento da vida.
                Contra a vontade do introvertido, o objeto finalmente acaba por impressioná-lo uma hora ou outra, e provoca nele os efeitos mais incômodos e impertinentes. Esses objetos do concreto cotidiano acabam por subtrair-lhes a liberdade de espírito, impondo-lhes algemas de uma mesquinha dependência material e econômica. Entretanto, diante da angústia perante a impressão do objeto sobre si, o introvertido experimenta uma peculiar "covardia", ou seja, um receio de impor sua própria personalidade ou impor sua própria opinião. Por conseguinte, a relação da pessoa introvertida com o objeto torna-se primitiva e temerária, e os objetos novos provocam medo e desconfiança.
                Assim sendo, o introvertido tem mais dificuldades de adaptar-se ao novo que os extrovertidos e, para ele, os objetos estão sempre solidamente presos à alma, pois toda e qualquer alteração no habitual provoca um efeito perturbador, quando não perigoso. Com isso, o pragmatismo da pessoa introvertida é algo mais difícil que da pessoa extrovertida.

PARTICULARIDADES DAS FUNÇÕES PSICOLÓGICAS

O Pensamento

                 O pensamento introvertido se orienta, como dissemos, pelo fator subjetivo. Este pensamento se encontra representado por um sentimento subjetivo que, em última análise, é determinado pelo juízo crítico da pessoa. As coisas objetivas com que mantém contacto e as experiências concretas podem enriquecer seu conteúdo subjetivo, mas nem sempre favorecem a prática objetiva (pragmatismo). Nos introvertidos os eventos exteriores, ao contrário dos extrovertidos, não são a causa e o fim do pensamento, seu raciocínio começa e termina sempre no sujeito e não no objeto.
                 O pensamento introvertido também pode tratar das grandezas concretas ou abstratas, mas, nos momentos decisivos, orienta-se sempre pelo subjetivamente experimentado. O conhecimento novos fatos tem valor indireto para o introvertido. Esses fatos novos facilitam-lhe novos pontos de vista, e estes novos pontos de vista são mais importantes do que os fatos propriamente ditos. A pessoa introvertida costuma equacionar problemas e teorias, costuma fornecer visões e sugestões, mas conserva sempre uma atitude prudente e reservada ante os fatos novos. Aceita-os como ilustração e exemplo, mas não lhes concede preponderância sobre o subjetivamente conhecido.
                  Com esta maneira de pensar, os fatos objetivos e concretos são de importância secundária para o introvertido. Neles sempre predomina o valor da idéia subjetiva, da imagem simbólica, das entrelinhas e da visão íntima das coisas. Esse tipo de pensamento é capaz de produzir idéias bastante abstratas e que não residem exclusivamente nos fatos, são idéias que expressam sua abstração mais íntima. O experimentado pelo introvertido não é apenas objetivo e concreto, como tende a ser aos extrovertidos, mas também simbólico e subjetivo.
                 A diferença entre o pensamento introvertido e extrovertido seria o mesmo que existe entre o filósofo Kant e o biólogo Darwin. Um lidando com o subjetivo e outro investigando profundamente o objetivo. Como se vê, o mundo precisa dos dois tipos.
                 A despeito da plena capacidade de abstração dos introvertidos, muitas vezes seu pensamento pode revelar uma perigosa tendência para forçar os fatos a submeterem-se e se conformarem à imagem subjetivamente pré-formada, ou a ignorá-los para que possa expor a imagem subjetivamente criada em sua fantasia subjetiva.
                 A possibilidade de distanciar-se da realidade dos fatos é ameaçada nessas pessoas, tanto quanto é ameaçada, em sentido oposto, nos extrovertidos. Estes últimos são capazes de negar a essência dos fatos por insensibilidade ao além-objeto, à abstração irreal e existente. Assim sendo, do mesmo modo que o pensamento extrovertido nem sempre consegue obter um conceito reflexivo e eficaz da experiência, também o pensamento introvertido pode não conseguir aproximar-se da objetividade da realidade real.
                 As opiniões dos introvertidos tendem a ser mais contundentes que dos extrovertidos, uma vez que a força das convicções, por serem subjetivas, costuma ser tanto maior quanto menos estiver em contato direto com os fatos objetivos. Mas essas opiniões introvertidas podem perder-se com facilidade na imensidão das idéias e dos fatores subjetivos. O introvertido cria teorias pela simples vontade e afinidade de criar teorias, e aí surge uma acentuada tendência para saltar facilmente do ideal para o meramente imaginário.
                 Nesses extremos, o pensamento introvertido que se distancia dos objetos, pode se tornar tão estéril quanto o pensamento extrovertido, que não consegue ir além dos fatos objetivamente dados.

O Sentimento

                  O sentimento introvertido é, como tudo nele, principalmente determinado pelo fato subjetivo. Na questão do sentimento existe uma diferença tão essencial, em relação ao sentimento extrovertido, quanto a que existe entre a introversão e a extroversão do pensamento.
                 Como o sentimento introvertido está subordinado às condições subjetivas, prendendo-se secundariamente ao objetivo, é normal que ele se manifeste menos e mais dificilmente e, quando se manifesta, costuma ser incompreendido pelas pessoas não introvertidas.
                 O sentimento introvertido parece desvalorizar os objetos e o mundo objectual, portanto, pode fazer-se sentir mais negativamente que de maneira positiva. Dessa forma, a existência de um sentimento positivo nas pessoas introvertidas terá de ser suspeitado ou percebido indiretamente. Nessas pessoas o silêncio, muitas vezes, representa o mais expressivo elogio. O introvertido parece estar mais insatisfeito que satisfeito com a realidade, ele está sempre à procura de uma imagem ideal que não se encontra na realidade concreta mas que, em certa medida, fora desejável.
                 Esse tipo de sentimento pode tornar o introvertido uma pessoa taciturna, de difícil acesso sentimental ou portador de uma notável indiferença. Se o pensamento subjetivo do introvertido determina dificuldades de compreensão adequada às pessoas extrovertidas, o mesmo se poderá dizer de seu sentimento subjetivo. O sentimento introvertido tende sempre a libertar-se do objeto e criar um vínculo subjetivo com este e, em determinados casos, acaba por desembaraçar-se de tudo o que for objetivamente tradicional. Daí observarmos, às vezes, maneiras muito incomuns dos introvertidos manifestarem seus sentimentos.

A Percepção

                  Também a percepção, que em essência tem de estar fortemente atrelada ao objeto e à excitação objetiva, sofre uma transformação notável na pessoa introvertida. Na percepção do introvertido há um fator subjetivo, portanto, além do objeto a ser percebido existirá um sujeito que percebe e que fornece sua disposição pessoal subjetiva para a excitação neurofisiológica. Na disposição introvertida, o ato perceptivo se baseia, sobretudo, na participação subjetiva da percepção.
                  Essas questões subjetivas e perceptuais podem ser explicadas, da maneira mais clara, pelas obras de arte que reproduzem subjetivamente os objetos exteriores. Se, por exemplo, vários pintores se esforçassem em reproduzir fielmente a mesma paisagem, os quadros seriam, apesar da paisagem ser a mesma, muito diferentes entre si. Essa diferença não será só devida à capacidade artística maior ou menor mas, principalmente, por causa das diferentes visões subjetivas do mesmo objeto. Inclusive, algumas pinturas denunciarão uma nítida diferenciação psíquica, quer seja no estado de ânimo, na sensibilidade para o movimento, para a cor e formas, e assim por diante. Essas qualidades apontam uma intervenção mais ou menos intensa do fator subjetivo.
                 O fator subjetivo da percepção no introvertido vem a ser o mesmo que nas outras funções psíquicas. Trata-se de uma disposição de personalidade capaz de alterar a percepção sensorial, remetendo-a além do caráter puramente objetivo. Neste caso, a percepção se refere, sobretudo, ao sujeito e não exclusivamente ao objeto.
                 Embora no introvertido exista, sem dúvida alguma, uma autêntica percepção sensorial, os objetos são vistos de modo completamente distinto dos extrovertidos. Na realidade, o sujeito introvertido percebe as coisas que todo mundo percebe, mas não se detém na pura influência do objeto, preferindo ater-se à percepção subjetiva suscitada pelo objeto. Portanto, a percepção subjetiva é acentuadamente distinta da objetiva.
                 Para o introvertido, o fator subjetivo de alguma coisa diz muito mais do que a simples imagem do objeto. A percepção subjetiva do introvertido apreende, pois, muito mais o fundo do que a superfície do mundo físico objectual. Ele não percebe a realidade do objeto como fator decisivo em seu destino, mas sim, a realidade do fator subjetivo das coisas, tal como seria apreendido por uma consciência muito amadurecida. Dessa forma, o fator significativo das coisas diz mais respeito à percepção subjetiva que objetiva. A percepção introvertida veria o nascer e morrer das coisas, sua origem e conseqüência, sua finalidade e destinação, muito mais que sua cor, sua forma, seu preço, seu valor prático.
                Assim, a percepção introvertida capta uma imagem além da reprodução fotográfica do objeto, ela é vinculada à experiência, ao sentimento e à suposição da experiência futura. A mera impressão sensorial desenvolve-se, pois, nas profundezas desse pressentimento, ao passo que a percepção extrovertida tende a apreender o objeto momentâneo e claramente manifesto das coisas.

A Intuição

                Na pessoa introvertida a intuição se prende aos objetos interiores, ou seja, aos elementos do inconsciente. Os objetos interiores se comportam, em relação à consciência, de modo análogo aos objetos exteriores, apesar da sua realidade não ser física, mas sim psicológica.
                Os objetos interiores apresentam-se à percepção intuitiva como imagens subjetivas de coisas que não podem ser observadas na experiência exterior, pois constituem o conteúdo do abstrato do inconsciente. Naturalmente, o conteúdo do inconsciente, por sua própria essência, é inacessível a toda e qualquer experiência concreta e objetiva. Tal como a percepção, a intuição também tem um forte fator subjetivo, o qual se converte numa grandeza decisiva ao introvertido. Por outro lado, na intuição extrovertida, esse fator subjetivo da intuição costuma estar reprimido ao máximo, devido à dificuldade que tem esse tipo de personalidade em representar o subjetivo.
                Na prática, um introvertido ao sentir-se atacado de uma tontura, normalmente de natureza psicológica, sua percepção se detém nas características particulares dessa perturbação, percebendo todas suas qualidades, sua intensidade, seu processo temporal, seu modo de se apresentar, com todos os seus pormenores. Sua intuição receberá da percepção o impulso necessário para ultrapassá-la, percebendo rapidamente uma imagem subjacente que a tontura, provocou. Ele terá a visão de um homem cambaleante, com uma flecha cravada no coração, com uma ameaça de derrame cerebral, de uma morte iminente. Essa imagem fascina a atividade intuitiva, a qual nela se detém e procura explorar todos os seus pormenores.
                A intuição introvertida percebe os processos do fundo da consciência ou do inconsciente, com a mesma nitidez em que a percepção extrovertida apreende os objetos exteriores. Para a intuição introvertida, portanto, as imagens inconscientes estão revestidas da importância das coisas ou objetos da realidade interna, ética, moral e sentimental. Por outro lado, a intuição do extrovertido espreita constantemente novas possibilidades, não se detém demasiadamente com possibilidade de mal ou de bem, próprio ou alheio, de certa forma atropelando considerações de ordem humana em favor de seu ímpeto de mudança.